Por Gilmar Tavares

Professor Titular aposentado e extensionista voluntário do Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Lavras (DEA/UFLA)

 

O projeto de Extensão Universitária Inovadora “Vozes da África” foi idealizado por mim em 2007, com o objetivo de apoiar científica e tecnologicamente a produção continuada de alimentos básicos e fundamentais para as populações carentes em geral, principalmente na África, por meio de capacitações participativas em Tecnologias Socioambientais Sustentáveis da Agroecologia.

Tem-se considerado sistematicamente a Merenda Escolar como espaço ideal para Programas de Segurança Alimentar; assim, concomitantemente às capacitações, desenvolveram-se programas de segurança alimentar participativos, com produtos da Agricultura Familiar obtidos de maneira agroecológica.

Extensionista por convicção, atuando continuamente nas áreas de Agroecologia, Agricultura Familiar e Extensão Universitária Inovadora desde 1978, tomei como inspiração criadora para o "Projeto Vozes da África" a poesia "Vozes d’África", de Castro Alves (11 de junho de 1868). A primeira estrofe diz:

Deus! ó Deus! Onde estás que não respondes?

Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes. Embuçado nos céus?

Há dois mil anos te mandei meu grito, Que embalde desde então corre o infinito...

Onde estás, Senhor Deus?...

Com apoio do professor Rubens J. Guimarães, na época pró-reitor de Extensão e Cultura da UFLA, foi feito o primeiro contato com o casal de alemães Stephan e Martina Zwich, que haviam vivido por muito tempo na República Democrática do Congo e estavam residindo próximos a Lavras. Por intermédio desse casal, em 2007, foi feito o primeiro contato com a Universidade Livre dos Países dos Grandes Lagos (ULPGL), na cidade de Goma, província de North Kivu, República Democrática do Congo.

Em setembro de 2007, o Magnífico Reitor da ULPGL, professor Samuel Ngayihembako Mutahinga, visitou a UFLA. Naquela semana de encontros, em 21/9/2007, firmou-se um "Protocolo de Intenções de Parceria". Aquele evento histórico deu formato oficial para a construção de parceria participativa institucional, sob minha coordenação geral.

Em março de 2008, visitei a ULPGL em Goma e os campi avançados de Butembo e Bukavu, todos North Kivu da República Democrática do Congo (RDC). Durante aquela semana de visitas, foram identificadas e discutidas as primeiras informações para as futuras propostas de estabelecimento do Programa de Mútua Cooperação Participativa.

Em outubro de 2010, o novo reitor da ULPGL, professor Kambale Karafuli, visitou a UFLA e encaminhou o "Acordo de Cooperação UFLA/ULPGL", assinado em 26/1/2011, no formato definitivo. Em seguida, o professor Karafuli daria então uma contribuição significativa à parceria UFLA/ ULPGL, ao visitar a Embaixada Brasileira de Kinshasa, conseguindo inserir o "Projeto Vozes da África" na "Agenda da Visita de Prospecção" que a Agência Brasileira de Cooperação do Ministério de Relações Exteriores do Brasil (ABC/MRE) promoveria na RDC, em fevereiro de 2011.

Aquela ação oportuna provocou o convite da ABC/MRE a mim, para participar daquele evento, juntamente com o professor Karafuli. Durante o evento, nós assinamos, em 25/2/2011, como futuros parceiros executores, juntamente com a ABC/MRE, o “Proces-verbal des Travaux entre les Experts de L´Agence Brasilienne de Cooperation et les Experts Congolais”.

Assim, as equipes da ULPGL, UFLA e Kinshasa ficaram permanentemente interligadas, formando um grande grupo de trabalho, nas áreas de Agroecologia, Agricultura Familiar e Extensão Universitária Inovadora, que continuou denominado “Projeto Vozes da África”. Graças a essas propostas de execução, foi possível capacitar na UFLA/Brasil, com apoio da ABC/MRE, 60 professores e técnicos congoleses em Agroecologia, Agricultura Familiar e Extensão Universitária Inovadora. Foram quatro turmas de 15 participantes cada uma, no período de outubro de 2011 a abril de 2013. 30 foram oriundos da ULPGL e 30 de Kinshasa.

Em seguida, três professores da ULPGL foram recebidos pela UFLA para participarem de seu programa de mestrado. Um deles continuou os estudos de pós-graduação em nível de doutorado, na própria UFLA. Todos já retornaram à RDC.

Em novembro de 2013, voltei à RDC e, em visitas presenciais para avaliação de resultados, atestei emocionado o sucesso das capacitações e o sucesso do projeto nas várias áreas da Agroecologia, bem como os resultados expressivos de produção de alimentos básicos e fundamentais, em regiões de tantos conflitos armados, constantes e sangrentos.

A ULPG foi primeira parceira desde o início. Com a adesão do "Ministério da Agricultura da RDC", tendo como representante legal o Eng. Omar Babene; com a adesão do "INERA (Institut National pour l'Etude et la Recherche Agronomiques)" de Kinshasa, capital, tendo como focal-point o pesquisador professor Thomas Mondjalis Poto, capacitado na UFLA em 2012;  e com a adesão da "ONG-Solidariedade Feminina", da cidade de Kindu, da província de Maniema e presidida pela fundadora Mme. Nathalie Kapunga, capacitada na UFLA em 2015,  o "Projeto Vozes da África" tomou grande impulso, com resultados exitosos disponibilizados logo a seguir.

Em 2015, fui agraciado com o honroso título de Professor Doutor Honoris Causa, pela Universidade Livre dos Países dos Grandes Lagos (ULPGL), Goma, República Democrática do Congo, North Kivu, na África. Em agosto de 2018, sob patrocínio da ABC/MRE, os senhores Omar Babene (MA), Thomas Mondjalis Poto (INERA) e Kakule Molo (ULPGL), juntamente com a senhora Nathalie Kapunga (ONG-SF), vieram à UFLA para exposição de resultados e planejamento de novas etapas. Neste evento, o IF Sul de Minas foi aceito como parceiro do projeto.

A partir de 2016, o projeto foi estendido à Asia, com o nome "Projeto Vozes da Ásia", e encontra-se em franco desenvolvimento no Afeganistão, Paquistão e Rússia, porém paralisado em Myanmar. Nesse mesmo ano, foi estendido também para Moçambique,  por meio de parceria participativa com a ONG-Fraternidade Sem Fronteiras, e atualmente encontra-se em readequação.

Apesar da pandemia, o projeto encontra-se em pleno desenvolvimento, embora as dificuldades tenham aumentado. Todos os parceiros continuam atuando em suas frentes de trabalho (Kinshasa, Goma/Butembo/Bukavu) e Maniema/Kindu). Um professor colaborador do INERA/RDC faleceu de Covid-19;

A vinda da delegação de 35 congoleses para novas capacitações em Agroecologia foi adiada para agosto de 2021. O Boletim Técnico Extensionista sobre Biofertilização, em vernáculos africanos (swahili, lingala e kikongo), acompanhado das versões em inglês e francês, está na Editora UFLA em fase de diagramação.

 

Confira algumas notícias extensionistas exitosas do "Projeto Vozes da África", disponibilizadas como testemunho do sucesso do projeto:

Exposição “Agricultura Familiar no Brasil, África e Ásia” estará no Museu Bi Moreira. Confira matéria da TVU | Arquivo de notícias DCOM UFLA

"Projeto Vozes da África": promoção da segurança alimentar pelo viés da agricultura familiar e da Agroecologia 

"Projeto Vozes da África” lança informativos técnicos extensionistas em idiomas vernaculares africanos (swahili, lingala e kikongo), acompanhados de versões em português, inglês e francês). Publicações estão disponibilizadas no Repositório Institucional da Biblioteca/UFLA

Suggestions de "Recettes Alternatives" pour la consommation humaine avec des produits d'agriculture familiale obtenus de maniere agroecologique.pdf                                                                                  

Conhecimento compartilhado. Comunidade africana encontra solução contra pragas por meio da Agroecologia

UFLA e Organização Fraternidade sem Fronteiras articulam parceria para capacitação em Moçambique

Professor da UFLA realiza missão extensionista agroecológica em Moçambique

Projeto Vozes da África em Moçambique :

UFLA doa livros e publicações a instituto parceiro de Moçambique

Projeto Vozes da África: diferente atores da comunidade universitária colaboram para o avanço de ações humanitárias em Moçambique

UFLA propõe ações de recuperação de nascentes para Moçambique

Proposta para criação de curso em nível de mestrado, objetivando a formação extensionista inovadora em Agroecologia na África

Vozes da África agora na Guiné-Bissau: primeiras iniciativas do projeto já estão em curso

 

Os conteúdos e opiniões apresentados nos artigos desta seção são de responsabilidade exclusiva de seus autores, não correspondem à posição institucional da UFLA. As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seu conteúdo.

Por Denise Borges

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Administração da UFLA


A maioria das pesquisas no Brasil são desenvolvidas dentro das universidades, principalmente por meio dos programas de pós-graduação. São trabalhos das equipes de pesquisa, de mestrado e doutorado que geram conhecimentos capazes de contribuir para o desenvolvimento econômico, ambiental e social do País.

Só na Universidade Federal de Lavras (UFLA) há 43 programas de pós-graduação. Entre eles, está o Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA), criado em 1975 como um dos primeiros programas de pós-graduação da Universidade, quando essa ainda era denominada Escola Superior de Agricultura de Lavras (ESAL). Surgia, naquele momento, o mestrado em Administração Rural que, ao longo de sua história, transformou-se no curso de mestrado e doutorado em Administração, que recebe e forma, anualmente, dezenas de mestres e doutores. Os pós-graduandos desenvolvem, constroem conhecimento e são preparados para atuar em diversas áreas da Administração e da Administração Pública, como pesquisadores, docentes, consultores, gestores públicos, administradores de empresas e profissionais competentes em suas áreas específicas.

Pensando nessas contribuições que o PPGA tem proporcionado à sociedade ao longo de seus 46 anos, os coordenadores decidiram unir as práticas de pesquisa às práticas de gestão do programa em um projeto que pudesse contar a história do PPGA. Busca-se apresentar o contexto de sua criação, os desafios para a construção do programa, os professores que fizeram parte desse processo, tudo isso com o intuito de compreender a essência histórica do PPGA para buscar melhorias futuras para o programa, por meio de uma reestruturação compartilhada em um novo planejamento estratégico.

Esse projeto será realizado por intermédio da minha tese de doutorado, com orientação da professora Mônica Cappelle e coorientação do Professor Daniel Rezende, mediante uma metodologia participativa conhecida por pesquisa-ação. Essa metodologia pressupõe a formação de grupos entre as pessoas envolvidas com o assunto, para que possam participar em equipe, opinando, sugerindo melhorias, expondo suas críticas e, assim, criando coletivamente as ações futuras do programa, a fim de ampliar seu impacto na cidade, na região e mesmo no País.

As ações serão amplamente discutidas e debatidas pelos grupos de pesquisa-ação e, posteriormente, compiladas na forma de um planejamento estratégico do PPGA para os anos futuros. Os grupos serão formados por alunos de mestrado e doutorado, estudantes de graduação, ex-alunos do programa, técnicos administrativos, professores e coordenadores do PPGA, para que todas as pessoas envolvidas com a pós-graduação em Administração da UFLA possam contribuir para os novos caminhos do programa.

Também participarão do projeto ex-coordenadores do PPGA que ajudaram na sua construção desde a década de 70. Ao relembrarem e contarem sua história, evidenciarão as dificuldades encontradas pelos pioneiros desse importante programa de pós-graduação da Universidade, bem como apresentarão todas as contribuições dadas por eles.

O projeto, além de abrir portas para o debate na pesquisa científica e para uma gestão compartilhada, permitirá ao programa resgatar sua história, rever seu planejamento atual, fixar metas, estabelecer novas estratégias, reafirmar ou rever sua identidade, entender os desafios, compreender suas potencialidades e reforçar a sua importância regional.

Outro ponto importante é a possibilidade de evoluir na avaliação feita pela Capes, órgão responsável pelas avaliações dos programas de pós-graduação e que os conceitua com notas a cada 4 anos. Essas notas variam de 3 a 7 e servem como referência para o recebimento de recursos do Governo Federal, recursos esses que são destinados ao financiamento das pesquisas e a bolsas de mestrado e doutorado, por exemplo - algo extremamente importante para a condução das pesquisas brasileiras.

A pesquisa evidencia três pontos importantes: que conhecer o contexto histórico é relevante para a compreensão das ações praticadas no presente e para estabelecer estratégias e novos caminhos para o futuro; que uma pesquisa científica pode ser participativa; e que os estudos conduzidos na pós-graduação têm suas contribuições práticas.

 

Os conteúdos e opiniões apresentados nos artigos desta seção são de responsabilidade exclusiva de seus autores, não correspondem à posição institucional da UFLA. As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seu conteúdo.

Por 

Gleiton Tavares da Silva - estudante de graduação

Sarah Laguna Conceição Meirelles - orientadora

Faculdade de Zootecnia e Medicina Veterinária – Departamento de Zootecnia

 

Gleiton
Gleiton Tavares da Silva

O mercado de venda de touros é uma das principais áreas para a pecuária nacional, pois além de gerar uma grande movimentação financeira, também possibilita a evolução genética dos rebanhos comerciais. No ano de 2020, os leilões, em sua grande maioria, foram transmitidos de forma virtual devido à pandemia, mas os faturamentos gerados nunca foram tão altos.

Em meio a esse mercado de leilões tão valorizado, desenvolvemos uma pesquisa sobre correlações do preço de venda de touros Nelore com características dos animais apresentadas durante a transmissão de leilões. Este trabalho* teve como objetivo observar como as características estão agregando valor ao touro no momento de sua venda, além de permitir analisar como está o pensamento do pecuarista no ato de escolher um touro para seu rebanho.

As características dos touros correlacionadas com o preço de venda foram: peso, índice ABCZ (iABCZ), circunferência escrotal (CE) e idade; analisou-se também o efeito do nome da fazenda. Os dados foram coletados em dez leilões da raça Nelore de diferentes fazendas, totalizando 492 animais avaliados.

Nos resultados observados, o nome da fazenda teve influência no valor dos animais comercializados, mostrando que leilões mais tradicionais são mais valorizados. O trabalho de anos e anos de seleção e contribuição na evolução da raça é algo que faz com que os pecuaristas paguem mais caro por animais oriundos dessas fazendas, mostrando uma preocupação em adquirir animais em fontes mais confiáveis e renomeadas.

As características que apresentaram mais influências na correlação com o preço de venda foram peso e iABCZ. Em relação ao peso, não poderia ser diferente, já que na pecuária de corte a remuneração é feita por arroba de animal abatido. Além de animais mais pesados serem mais bonitos aos olhos dos compradores, devido ao maior preenchimento de massas musculares.

sarah meirelles
Sarah Laguna Conceição Meirelles

Em relação ao iABCZ, a influência positiva da correlação com o preço mostrou uma evolução no olhar dos pecuaristas, que estão cada dia mais atentos às novas tecnologias atribuídas à seleção animal. O valor econômico presente nas características do índice está introduzido na evolução genética de um rebanho, mostrando que, para um rebanho mais produtivo, precisa-se unir uma genética cada vez mais selecionada com um ambiente que dê suporte a sua total expressão.

A evolução do melhoramento genético e das biotecnologias reprodutivas trouxe para os pecuaristas formas de escolha mais seguras e acuradas, permitindo a seleção de animais de acordo com o tipo de produção desejado. O iABCZ está entre essas ferramentas que auxiliam e indicam para o produtor um animal mais equilibrado em suas características genéticas, mostrando positivamente sua influência econômica no momento da venda de animais.

As características idade e circunferência escrotal (CE) apresentaram correlação positivas, mas não tiveram grande influência no preço de venda dos animais analisados. O fato da correlação de CE e preço não apresentar valores influentes pode estar relacionado à evolução de DEPs reprodutivas, além dessa característica estar presente na composição do iABCZ.

As características peso e iABCZ são importantes para agregar valor no momento da venda de animais em leilões, contudo esse mercado é influenciado por dezenas de gostos e objetivos, necessitando de mais estudos na área para descobrir mais sobre o funcionamento dessas correlações de características dos animais com seu preço de venda. 

 


*Trabalho de conclusão de curso do aluno Gleiton Tavares da Silva apresentado à Universidade Federal de Lavras, como parte das exigências do Curso de Zootecnia. “ANÁLISE DE FATORES CORRELACIONADOS COM O PREÇO DE VENDA DE TOUROS EM LEILÕES DA RAÇA NELORE”. Fevereiro/2021.

 

Os conteúdos e opiniões apresentados nos artigos desta seção são de responsabilidade exclusiva de seus autores, não correspondem à posição institucional da UFLA. As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seu conteúdo.

Por

Eduardo Henrique Ávila de Oliveira - estudante do curso de Medicina, da Faculdade de Ciências da Saúde da UFLA

Gabriela Fiorini Siqueira - estudante do curso de Medicina, da Faculdade de Ciências da Saúde da UFLA

Christiane Malfitano - orientadora e professora da Faculdade de Ciências da Saúde da UFLA

projeto hiperdia 
Primeiras publicações do projeto no Instagram


A Unidade de Saúde da Família (USF) tem por objetivo facilitar o acesso da população a uma saúde de qualidade, promover educação em saúde e prevenir doenças crônicas. Para tal, a realização de grupos operativos é de suma importância, pois nesses grupos a ajuda recíproca entre os integrantes, que utilizam uma mesma linguagem e partilham as mesmas vivências, proporciona um melhor entendimento e aceitação sobre suas enfermidades, aumenta a adesão ao tratamento e estimula mudanças no estilo de vida.

Diante  disso, discentes dos cursos de Educação Física, Medicina e Nutrição da Universidade Federal de Lavras (UFLA) implementaram o HIPERDIA como projeto de extensão em 2017. Por definição, no Sistema Único de Saúde (SUS), o HIPERDIA é um grupo operativo para hipertensos e diabéticos que deve ser articulado pela equipe de Saúde da Família (eSF). Na prática, contudo, a sobrecarga de funções sobre a eSF inviabiliza a execução desse grupo na maioria das USF’s. Por esse motivo, os discentes focam em disseminar informações confiáveis, acessíveis e objetivas acerca da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e Diabetes Mellitus (DM), doenças que, segundo as Diretrizes de Hipertensão Arterial de 2020 e a Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes 2019-2020, têm uma prevalência aproximada de 20-30% e 7-8%, respectivamente.

Diante do cenário da pandemia do novo coronavírus e início dos protocolos de distanciamento social, as atividades do grupo, que antes eram exercidas presencialmente em USF’s, foram paralisadas. Pensando na importância da continuidade das ações de promoção e educação em saúde do HIPERDIA, verificou-se a necessidade de acrescentar uma forma de trabalho remota. Isso se justifica porque era esperado que a população, especialmente os pacientes portadores de HAS e DM, um grupo de risco para a Covid-19, se afastassem dos atendimentos e da rotina da Atenção Primária à Saúde (APS) com receio do novo coronavírus. Dessa forma, a adaptação do projeto para a forma remota e a manutenção da disseminação de informações acerca da HAS e DM foi, e continua sendo, de suma importância, uma vez que torna o paciente apto a reconhecer as características da sua própria enfermidade, permitindo que ele saiba os caminhos para a melhora da sua qualidade de vida. Além disso, a atuação remota do projeto auxilia na desmistificação de medos e informações falsas que estão bastante presentes na contemporaneidade.

hiperdia whatsappPara atingir um maior número de assistidos quanto à ideia de educação em saúde, a difusão das informações precisou ser abrangente, acessível e eficaz. Foi definida pela coordenação do projeto a utilização das redes sociais Instagram e WhatsApp como forma de contato entre os participantes do projeto e a população. A página criada no instagram pode ser encontrada por meio de pesquisa na própria rede social da conta @hiperdia.ufla.

Os alunos participantes do projeto dividiram-se em dois grupos, de acordo com a abrangência do conteúdo: metade com foco em educação em saúde na hipertensão e a outra parte em diabetes. Essa divisão foi realizada com o intuito de facilitar a organização da produção e também o consequente entendimento do público, já que as publicações foram organizadas pautadas em cores, imagens e locais de publicações distintos.

Com frequência quinzenal, a postagem de conteúdo on-line iniciou-se em 15 de julho de 2020, a partir da criação de um perfil no Instagram, simultaneamente com um grupo no WhatsApp, com a participação da coordenadora da Atenção Primária em Saúde de Lavras e de todos responsáveis pelas USF’s da cidade. No grupo criado, havia 20 profissionais. Por meio deles, o conteúdo também foi repassado à população que mantinha contato permanente com as USF e tinha acesso à rede social. Em números, foram realizadas 36 publicações no período de julho a dezembro de 2020, tanto no Instagram quanto no grupo de Whatsapp. Segundo dados do Instagram, houve 737 curtidas para todas as postagens e um somatório de alcance de 7497 perfis, com uma média de alcance por publicação de 208 pessoas.

A informatização é uma realidade e a utilização dos meios virtuais, principalmente das redes sociais com linguagem acessível ao público, tornou-se também uma ferramenta de importante disseminação de informações confiáveis e de cunho científico. A pessoa que recebe informações de qualidade sente-se acolhida e a chance de incorporar práticas de mudança no estilo de vida, tirar dúvidas sobre sua doença e tomar seus medicamentos de forma correta é alta. Isso incentiva um melhor manejo de seus cuidados, o que diminui as complicações da HAS e do DM.

Apesar de sabermos que ainda há muito a fazer para ampliar essa prática de incentivo à saúde, cremos que a telemedicina veio como uma novidade que, se implementada de forma correta e sob legislação e fiscalização de órgãos competentes como conselhos de medicina, pode trazer muitos benefícios à saúde dos indivíduos, principalmente aqueles que são considerados grupo de risco, como os hipertensos e diabéticos.

Por fim, acreditamos que a continuidade de projetos de prevenção de doenças crônicas e educação em saúde é de extrema importância e torna-se ainda mais relevante no contexto de pandemia, pois a presença de comorbidades, como as doenças crônicas, são agravantes para a Covid-19. Adicionalmente, fornecer a informação científica em linguagem acessível e na “palma das mãos” é uma maneira de empoderamento do cidadão a respeito da sua saúde e bem-estar, assim como é também uma forma de enfrentar a pandemia da Covid-19.


Referências Bibliográficas

Barroso WKS, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, Mota-Gomes MA, Brandão AA, Feitosa ADM, et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arq Bras Cardiol. 2020; [online].ahead print, PP.0-0. Acesso em: 06/02/2021.

GUSSO, G; LOPES, JMC. Tratado de medicina da família e comunidade: princípios, formação e prática. Vol 1. Porto Alegre: Artmed, 2012.

Sociedade Brasileira de Diabetes. DIRETRIZES DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES 2019-2020. Clannad Editora Científica, 2019. Disponível em: https://www.diabetes.org.br/profissionais/images/DIRETRIZES-COMPLETA-2019-2020.pdf. Acesso em: 06/02/2021.

Paulo Henrique Leme

Professor da Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas da UFLA - Departamento de Administração e Economia 

 

O Marketing estuda a dinâmica e a construção de mercados a partir das trocas econômicas, considerando os comportamentos dos atores no mercado, como vendedores, consumidores, empresas, governos e sua relação com ferramentas como a propaganda, a logística, os pontos de venda, a internet etc. Quando algo como a Covid-19 ocorre, a mudança é abrupta e traumática. Os mercados são atingidos por uma onda avassaladora de pequenas mudanças em normas e práticas que têm um grande efeito na vida econômica dos mercados. Essas mudanças representam perigos para empresas, marcas e profissionais do marketing. Mas também oferecem oportunidades. Esta reflexão está ordenada da seguinte maneira: olhamos o hoje e tentamos visualizar o amanhã em uma visão estratégica.

Alguns comportamentos que iriam aparecer em cinco ou dez anos se tornaram urgentes nos dias de hoje, e tendem a permanecer. As ferramentas de reuniões digitais que nunca foram uma unanimidade entres os profissionais fez com que as pessoas refletissem: “será mesmo que preciso viajar para resolver um assunto que pode ser resolvido com uma reunião virtual”? Agora que aprendemos a usar uma ferramenta digital para resolver problemas de reuniões de negócios, será que vamos voltar ao velho modelo de reuniões presenciais com muitas pessoas ao redor de uma mesa? Exato, o que era um recurso utilizado em algumas situações específicas se tornará rotina. Por exemplo, o trabalho remoto ganhará um grande impulso, e empresas e empregados irão se perguntar: será necessário um deslocamento de horas para apenas sentar em frente ao computador e usar a internet? Outra mudança importante foi sobre a liberação da telemedicina. Mesmo após pandemia, se você puder evitar ir ao consultório médico, em situação em que a consulta a distância faça sentido, você vai preferir. Sim, há controvérsias. Mas elas estão aí para o debate.

No entretenimento, as lives por streaming mudam o mercado da música. Foi  se o tempo onde fazer sucesso era vender mídia física. Agora o negócio são cliques e likes. Na educação, esqueçam o modelo de “EaD” (ensino a distância) tradicional. Professores e estudantes estão criando formas de engajamento para o aprendizado digital. Aulas curtas, professores tutores do aprendizado e estudantes autodidatas que buscam conhecimento. Para as empresas, o digital virou essencial, o sistema de delivery e logística de entregas, com motoboys e drones, vieram para ficar (ou virá, no caso dos drones). Em muitas cidades, a ida ao supermercado foi substituída pelo aplicativo de mensagens. O mundo do dinheiro também irá mudar ainda mais radicalmente. Na China, por exemplo, boa parte das transações já é feita digitalmente, com celulares. Ganham força os bancos digitais e aqueles que oferecem soluções amigáveis para todas as idades.

Em relação aos consumidores, devemos olhar para novos hábitos e práticas de consumo. Muitos consumidores fizeram sua primeira compra on-line por causa da quarentena. Perceberam que funciona e que é segura. Outro mercado crescente é o do “faça você mesmo”, seja de pequenos reparos, seja de culinária e artesanato. Consumidores irão procurar aulas e cursos on-line para valorizar melhor seu tempo e aprender novas habilidades. Tende a crescer a compra por produtos como fazedores de macarrão e outras pequenas máquinas domésticas, como máquinas de costura.

Claro que em muitos mercados, como o de bares e restaurantes, academias, esportes coletivos e turismo, as dificuldades tendem a perdurar por mais tempo. Essas mudanças nos hábitos de consumo e nos mercados impactam a forma como o marketing irá comunicar suas ofertas e também como as marcas se apresentarão aos consumidores. A tendência, nas crises, é o consumidor buscar a confiança em marcas fortes, de tradição no mercado. Todo esse complexo quadro mercadológico pede grande atenção dos profissionais de marketing. A primeira oportunidade que aparece está na inserção digital. Outra grande questão é que o estudo de mercados, ou o marketing como conhecemos, é hoje a partir do estudo da ciência de dados. Portanto, para os profissionais do marketing, faz-se necessário compreender como a grande quantidade de dados está mudando a forma como vemos o mundo e como definimos nossa estratégia de atuação.

Como mensagem final, precisamos compreender que esta é uma “crise” de longo prazo. É uma mudança forte no “hoje”, com grandes impactos no amanhã. Como em qualquer mudança, oferece ameaças e oportunidades. Quanto antes entendermos isso, melhor. Não há volta ao “normal”. Há uma nova realidade. Portanto, por mais forte que pareça essa afirmação, não é hora de cortar custos, mas de repensar investimentos e ações. A pergunta é: Como você vai navegar neste “novo mundo”? .

Como lição, o que se espera é a valorização da ciência e do papel da pesquisa e do ensino. Ao final tudo vai dar certo se agirmos com a ciência ao nosso lado.

 

Os conteúdos e opiniões apresentados nos artigos desta seção são de responsabilidade exclusiva de seus autores, não correspondem à posição institucional da UFLA. As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seu conteúdo.



Plataforma de busca disponibilizada pela PRP para localizar grupos de pesquisa, pesquisadores, projetos e linhas de pesquisa da UFLA