A expansão do câmpus universitário é visível, seja em relação à comunidade acadêmica ou às edificações. Mas, algo que se destaca em meio a essa ampliação é o cuidado em preservar o meio ambiente. Mapeamento realizado do uso da terra do câmpus da Universidade Federal de Lavras (UFLA) aponta que em meio ao crescimento e expansão de áreas urbanizadas, é notório o aumento da vegetação natural na Instituição.

Para esse levantamento, a coordenadora do estudo, professora Elizabeth Ferreira, do Departamento de Engenharia Agrícola (DEA/ESCOLAENG/UFLA), mapeou vários tipos de uso e cobertura  existentes no câmpus, que no final foram agrupados em cinco classes: áreas urbanizadas, áreas de vegetação natural, áreas agrícolas,  água e outros usos.

“O mapa de 2020 foi feito a partir de imagens do satélite SuperView, utilizando técnicas de sensoriamento remoto, que incluem vários procedimentos até chegar à fase de interpretação das imagens. Nessa fase, as áreas são identificadas, digitalizadas, associadas às classes de uso pré-estabelecidas e medidas. A metodologia adotada na construção dos mapas de uso seguiu as normas técnicas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”, explica Elizabeth.  

A professora Elizabeth realiza estudos de mapeamento do câmpus desde 2009, ano em que foi feito um levantamento do uso atual da terra, a partir de imagens do satélite QuickBird. Dessa maneira, ao comparar o mapeamento do câmpus no ano de 2020 com o ano de 2009, percebe-se que as áreas de vegetação natural aumentaram, áreas essas que foram recuperadas e outras reflorestadas. "As áreas de vegetação natural incluem: floresta, mata ciliar, cerrado, capoeira, brejo, áreas de preservação permanente, mato e reflorestamento. Comparativamente, nos estudos feitos em 2020 e 2009, aumentaram as áreas de vegetação natural e as urbanizadas, já as áreas de cultivo agrícola sofreram uma diminuição", ressalta. 

A professora Elizabeth comenta ainda sobre levantamentos anteriores, em que foram utilizadas fotografias aéreas. "Com estudos feitos usando as fotos aéreas de 1964, 1971, 1979, 1985 e agregando aos estudos dos anos de 2009 e 2020, em que foram usadas as imagens de satélite, a conclusão geral foi que o percentual das áreas de vegetação natural aumentou. Nesse período houve um aumento na classe água, em virtude da construção das represas, sendo que a primeira represa apareceu na foto de 1971. Houve também aumento nas áreas urbanizadas, sendo que a maior urbanização ocorreu a partir de 2009,  consequência da expansão da UFLA  e do maior número de pessoas que passaram a utilizar o câmpus”. 

Esses mapeamentos de uso e cobertura da terra são muito utilizados para planejamentos urbano e rural. “Esse levantamento é importante para que a diretoria executiva da UFLA possa tomar decisões de maneira mais eficiente de quais serão os futuros usos das áreas do câmpus”.

Estudo em números

A área do câmpus da UFLA mapeada foi de 476 hectares. Para fazer os levantamentos nos anos estudados (1964 a 2020), a pesquisadora utilizou cinco classes de uso da terra: áreas urbanizadas, áreas de vegetação natural, áreas agrícolas, água e outros usos. 

Resultados (em percentagem) para cada ano:

CLASSES DE USO DA TERRA

ANOS ESTUDADOS

1964

1971

1979

1985

2009

2020

1. Áreas Urbanizadas

1%

5%

9%

10%

14%

24%

2. Áreas de Vegetação Natural

17%

18%

20%

24%

26%

29%

3. Áreas Agrícolas

81%

75%

69%

63%

58%

45%

4. Água

-

-

1%

1%

2%

2%

5. Outros Usos

-

2%

1%

2%

1%

-

Assista ao vídeo e saiba mais: 

Apuração e redação: Greicielle Santos

Roteiro: Samara Avelar

Imagens: Sérgio Augusto

Edição do vídeo: Eder Spuri

O Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental da Universidade Federal de Lavras (PPGEAMB) comemora um novo marco em sua história: a primeira banca de defesa. A dissertação, desenvolvida pelo estudante Mateus Henrique Barbosa com a orientação da professora Fátima Fia, traz contribuições para a sustentabilidade ambiental, com uma abordagem focada no tratamento de efluentes.

“A defesa é um marco também para a UFLA, instituição internacionalmente reconhecida por suas ações ambientais", ressalta a orientadora da pesquisa. De acordo com a professora, “a criação do programa sempre foi um desejo dos docentes do curso de graduação em Engenharia Ambiental e um compromisso firmado com a Instituição, coroado com êxito pela primeira defesa”.

O coordenador do programa, professor Mateus Matos, endossa esse vínculo com as preocupações ambientais da UFLA e ressalta a importância coletiva da defesa. “Esse é um momento de grande satisfação e orgulho para a coordenação, membros do colegiado, docentes, técnicos administrativos e discentes. Em um contexto de grandes dificuldades no enfrentamento à pandemia, essa conquista só foi possível com empenho e dedicação de todos.”

A pesquisa intitulada “Sistemas Alagados Construídos de Escoamento Horizontal Subsuperficial com Chicanas: Desempenho, Cinética de Degradação e Colmatação” avaliou a eficiência de Sistemas Alagados Construídos (SACs), com diferentes disposições de chicanas (placas) e cultivados com Capim-do-Texas, na remoção de poluentes do esgoto sanitário gerado no câmpus da UFLA. Os SACs se espelham no funcionamento de sistemas naturais, como brejos e várzeas, e utilizam materiais semelhantes aos naturais, como solo e plantas, para realizar a depuração do efluente por meio de processos físicos, químicos e biológicos. Tais sistemas se destacam como uma alternativa eficiente de baixo custo de implantação e operação comparada aos sistemas convencionais, além de serem uma solução sustentável e ecologicamente correta.

O estudo se baseia na construção e avaliação de três SACs com diferentes configurações internas. Em consonância com a literatura sobre o tema, a pesquisa indicou que o uso de chicanas melhora a eficiência do tratamento, aumentando a retenção de poluentes. “Em uma região com carência de recursos, essa simples melhoria, que implica baixo custo, pode tornar o tratamento ainda mais eficiente”, exemplifica Mateus.

O mestre acrescenta que os SACs também tiveram como diferencial o uso de plantas ornamentais. “Além de contribuírem para o tratamento do efluente, as plantas ornamentais e de interesse comercial possibilitam agregar valor ao uso de sistemas alagados, que podem ser utilizados com o objetivo de produção de flores em maior escala, além de proporcionar a valorização estética do sistema, tornando-o visualmente agradável”, diz.

A dissertação foi defendida em banca virtual realizada no dia 1°/4. Além dos professores Fátima Fia e Mateus Matos, a banca foi composta pelo professor Ronaldo Fia, também do programa, e pelo professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), Alisson Carraro Borges.

O Programa de Pós-Graduação em Educação Científica e Ambiental da Universidade Federal de Lavras (PPGECA/UFLA) realizou sua primeira defesa de mestrado. Com o título, “Educação Ambiental na Gestão da Coleta Seletiva Domiciliar em Lavras”, a dissertação foi desenvolvida pelo discente Juliano Jorge de Freitas Salgado, com a orientação da professora Rosângela Alves Tristão Borém.

"Essa dissertação reflete a filosofia do Programa, que visa à formação de professores em uma perspectiva científica com olhar crítico acerca da realidade social, histórica, política, cultural e ambiental do País", ressalta o coordenador do programa de pós-graduação, professor Antônio Fernandes do Nascimento Júnior.

A pesquisa analisa e discute a abordagem da Educação Ambiental para coleta seletiva domiciliar no Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PGIRS) do município de Lavras e em documentos correlatos. “É somente por meio de atividades educacionais que todos os segmentos da sociedade civil conseguirão compreender e agir de forma sustentável. Essas atividades, por sua vez, precisam ser desenvolvidas obrigatoriamente pelo poder público em parceria com todos os segmentos da sociedade civil”, justifica Juliano.

Além da análise dos documentos, a pesquisa incluiu a aplicação de questionários aos agentes envolvidos na coleta seletiva de Lavras: a Prefeitura, o Consórcio Regional de Saneamento Básico (Consane) e a Associação de Catadores de Lavras (Acamar). O levantamento teve o propósito de verificar e caracterizar as ações, projetos e programas de educação ambiental desenvolvidos no município.

O programa de educação ambiental traçado no Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos de Lavras foi projetado para execução em um período de 20 anos (2017 a 2037). A coordenação é realizada pela Prefeitura e pelo Cosane, respectivamente. Em parceria com a Prefeitura, a Acamar promove atividades de educação ambiental, com entrega de panfletos e o recolhimento de recicláveis nos domicílios.

O estudo evidencia que a maioria das atividades de educação ambiental de Lavras é voltada para o ambiente educacional escolar e, por meio desse, para a sociedade. Na avaliação de Juliano, “o município tem avançado nos aspectos do gerenciamento da coleta seletiva e de educação ambiental nos últimos anos. Contudo, as atividades contemplam em parte a real necessidade da população, necessitando de ações mais interativas e contínuas das instituições promotoras da coleta seletiva”. 

Para a professora Rosângela, é muito simbólico que a primeira dissertação do programa de pós-graduação analise a realidade local. “Um dos objetivos do nosso mestrado é contribuir para um projeto de sociedade mais justo e sustentável, por meio da educação ambiental. A dissertação reverencia esta cidade que nos acolhe, direcionando nossos conhecimentos para a melhoria da Educação Ambiental em Lavras”.

Rosângela ressalta, ainda, que esse conhecimento e essa transformação podem ter um alcance muito mais amplo. “Juliano é morador de Belém (PA), veio cursar o mestrado para ter conhecimentos que podem contribuir para a transformação da sociedade na qual vive, mesmo sabendo que este é um processo longo e difícil, mas possível.” 

A dissertação foi defendida no dia 19/3. A banca examinadora também foi composta pelas professoras Catarina Teixeira, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), e Jacqueline Magalhães Alves, do Departamento de Educação da UFLA.

Estudo utilizou o Google Trends para acompanhar as tendências de pesquisa pelo inseto em 20 países. Os resultados sugerem a necessidade de ações para que as pessoas conheçam mais sobre a importância ecológica do inseto.

 

Se você acha que sua casa tem muitas formigas, e pesquisou sobre elas no Google. é bem provável que suas buscas façam parte desse estudo. Incômodo para muita gente, as formigas estão entre as espécies de insetos comuns em nosso dia a dia, ficando, inclusive, mais ativas em dias quentes e chuvosos, fazendo com que muita gente recorra à internet para saber sobre elas. As buscas mais recorrentes por modos de eliminar as formigas apontam para a necessidade de que a população também conheça os benefícios das formigas ao meio ambiente.

No estudo, pesquisadores do Departamento de Ecologia e Conservação, do Instituto de Ciências Naturais da UFLA, utilizaram o Google Trends - uma ferramenta criada em 2006 que permite identificar os termos mais populares no buscador Google - para saber sobre os interesses das pessoas a respeito das formigas. O artigo científico sobre o tema foi publicado na última semana pela revista internacional Myrmecological News.

Conforme explica o pós-doutorando do Programa de Pós Graduação em Ecologia Aplicada, Antônio César Medeiros de Queiroz, no estudo foi analisada a variação temporal (mensal e anual), em 20 países, das buscas pelo termo "Formigas", e sua popularidade em um período de 13 anos. A escolha dos países se deu em função da língua, do acesso à internet, da área em quilômetros quadrados e do número de gêneros e espécies de formigas descritas em cada um deles. Além disso, o estudo avaliou as consultas e tópicos relacionados ao termo.

Entre os resultados, os pesquisadores concluíram que nos meses mais quentes as pessoas buscam mais por formigas. Além disso, o número de pesquisas vem aumentando ao longo dos anos em praticamente em todos os países. “A constância de interesse nas buscas pelo termo ‘Formigas’ foi correlacionada com o acesso à internet e com a diversidade de gêneros de formigas existentes no país (ou seja, regiões com maior acesso à internet e/ou maior número de gêneros registram mais buscas)”. 

Os pesquisadores também notaram que os países com maior proximidade, e no mesmo hemisfério, têm tendências de busca pelo termo "Formigas" similares, independentemente do idioma local. A similaridade histórica, cultural, linguística e a proximidade de países influenciam os padrões de busca de tópicos relacionados às formigas. Por exemplo, em países da América e Europa latinas, há um grande número de buscas sobre o significado das formigas nos sonhos; nos países de língua inglesa  as pesquisas são direcionadas às formigas de fogo e (ao gênero) Camponotus, que causam grandes problemas nos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá; em outros países da Europa as pessoas procuram mais por Lasius niger”, comenta o biólogo.

O levantamento também apontou que existe uma maior demanda sobre como controlar as formigas, em todos os países. “As pessoas se interessam mais para saber como matar, mas nós, ‘mirmecólogos’ que trabalhamos com formigas, achamos esse inseto o máximo, pois é extremamente diverso e ecologicamente importante para o meio ambiente, só que grande parte da população ainda não sabe disso. As formigas podem se tornar problemas em alguns casos, é verdade. Ainda mais em um país como o nosso, devido à uma série de fatores, como grande diversidade, condições apropriadas para as colônias e recursos em excesso. É praticamente impossível nos livrarmos delas por completo. Porém, as formigas têm papel importantíssimo na dispersão de sementes, fazem parte do processo de ciclagem de nutrientes e recuperação do solo. Além disso, são fundamentais no controle de pragas rurais e urbanas” , pontua.

A intenção dos autores é usar essas informações encontradas no trabalho para orientar eventuais atividades de divulgação científica. “É importante mostrar o lado positivo das formigas, estimular a educação ambiental e o ensino de Ciências para crianças e adolescentes, por meio de atividades de extensão relacionadas a formigas nos meses mais quentes, assim como buscar o desenvolvimento de aplicativos específicos que forneçam informações sobre esse inseto”.

Prevenção

Para quem não quer minimizar a presença do inseto em casa, o especialista dá uma dica simples: “O objetivo das formigas é sempre buscar recursos para a colônia, por isso não devemos deixar comidas expostas e ao alcance delas. É a principal maneira de evitar incômodos com as formigas dentro de casa, já que a urbanização diminui o número de espécies, mas ainda há um grande número adaptado à vida nas cidades”. 

A pesquisa é intitulada “No matter where you are, ants (Hymenoptera: Formicidae) get attention when it is warm”, e traduzida como “Não importa onde você está, formigas (Hymenoptera: Formicidae).

As formigas têm função importante na natureza, dispersando sementes e controlando pragas quando saem para buscar alimentos, por exemplo. Mas, se houver alterações climáticas e mudanças na produtividade das plantas, as formigas podem mudar seus hábitos de alimentação, e isso interfere na ação que terão sobre o meio ambiente. Ou seja, alterações climáticas impactam a vida das formigas, o que, por sua vez, pode trazer novos impactos para os ecossistemas. Essa reflexão pode ser feita a partir de um artigo publicado pela revista Journal of Biogeography nesse domingo (28/3), de autoria de pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA), da Universidade Federal do Acre (Ufac) e da University of Liverpool, da Inglaterra.

A pesquisa analisou o processo de busca por alimentos feito pelas formigas, conhecido como atividade de forrageio. É o primeiro estudo sobre alimentação de formigas a englobar diferentes espécies, em todos os seis biomas do Brasil (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal). Os resultados apontam para importantes conclusões inéditas sobre como as escolhas alimentares desses insetos é afetada pelos variados climas do País e pela produtividade primária, que é a quantidade de energia produzida pelas plantas para os animais consumirem.

Após a distribuição de alimentos pelos locais de experimento, foi possível observar, por exemplo, que em ambientes produtivos e de clima estável (como os da Amazônia), que são mais quentes e chuvosos, as formigas saem mais frequentemente com a intenção de procurar por alimentação. Nesses lugares, elas já possuem muita energia à disposição e conseguem suprir facilmente suas demandas. Por isso, elas apenas aumentaram o consumo de proteínas (aminoácidos) e de sal (sódio). As proteínas são importantes para a reprodução desses insetos e que o sódio é essencial para a manutenção do metabolismo das formigas.

O pós-doutorando da UFLA e um dos autores do estudo, Chaim Lasmar, observa que isso acontece de forma similar com os seres humanos, lembrando que quando uma pessoa realiza alguma atividade física e decide beber algum isotônico, essa bebida fará bem para repor os sais do corpo humano. Segundo ele, outro exemplo é quando o inverno chega e as pessoas passam a optar por comidas mais calóricas e gordurosas. “No nosso trabalho, também notamos que as formigas aumentam o consumo de sal onde elas têm maior atividade de forrageio. Além disso, elas preferem mais gorduras em ambientes mais frios. A explicação para isso é que a gordura ajuda a manter a temperatura no corpo da formiga, já que elas não produzem o próprio calor”, afirma. “No entanto, diferente de nós humanos, as formigas não podem simplesmente comprar um isotônico ou decidir fazer uma comida mais gordurosa, como nós podemos. Elas dependem da disponibilidade do alimento no ambiente”.

Em ambientes secos não muito produtivos e de clima inconstante, as formigas saem para buscar por alimentos mais energéticos, como açúcares e gorduras, pois a energia naturalmente ofertada para elas é escassa. Observações como essas garantiram êxito à pesquisa, que mostra como o clima e a produtividade realmente podem ser grandes influenciadores que estimulam a saída das formigas de seus ninhos e as escolhas alimentares que elas fazem.

A equipe de pesquisa alerta que a grande conclusão da investigação demonstra como mudanças climáticas ou alterações na produtividade primária dos ecossistemas são fatores que podem alterar funções ecológicas desempenhadas pelas formigas, já que essas funções estão diretamente ligadas ao quanto esses insetos saem para se alimentar e até mesmo ao tipo de alimento que eles vão consumir. Essas alterações podem comprometer, portanto, o funcionamento e a manutenção dos ecossistemas.

Sobre o experimento

A pesquisa é a primeira a avaliar a influência de diferentes parâmetros do clima (precipitação, sazonalidade e temperatura) juntamente com a produtividade primária das plantas, além de ter sido resultado de uma análise direta do material coletado em campo, abrangendo grandes áreas geográficas. Também é inovadora por analisar essas influências utilizando quatro recursos alimentares disponibilizados para as formigas: açúcar, azeite (gorduras/lipídeos), whey protein isolado e neutro (aminoácidos/proteína) e sal (sódio).

Para que os dados fossem coletados com eficácia, a equipe de pesquisa mergulhou pedaços de algodão em soluções líquidas feitas com água destilada e com os alimentos que queriam expor às formigas. Em seguida, esses algodões foram colocados em tubos que foram distribuídos em 1500 pontos em todos os seis biomas brasileiros. Os tubos com as soluções ficaram em cada bioma durante um período de três horas diárias. Eles eram espalhados em dias sem chuvas e coletados ao final desse período de tempo para serem analisados.

Os responsáveis pela pesquisa sempre fechavam os tubos ao término das três horas, levando tudo o que estava dentro deles para a análise. Por se tratar de um curto período de tempo, as formigas ainda estavam se alimentando dentro do tubo. As formigas foram contadas e classificadas em laboratório, onde também observavam se eram apenas esses insetos que estavam nos tubos se alimentando e não outros. Isso garantiu que não houvesse incertezas sobre qual inseto consumiu as soluções disponibilizadas.

A equipe de pesquisa

O artigo, nomeado como “Geographical variation in ant foraging activity and resource use is driven by climate and net primary productivity” (“A variação geográfica na atividade de forrageio e uso de recursos das formigas é explicada pelo clima e produtividade primária”), é obra do trabalho dos pesquisadores Chaim Lasmar, Tom Bishop, Antônio Queiroz e Fernando Schmidt e das pesquisadoras Catherine Parr e Carla Ribas. Chaim e Antônio são pós-doutorandos do Programa de Pós-Graduação em Ecologia Aplicada da UFLA, no qual Carla atua como professora e orientadora. Fernando é professor na Ufac e Catherine e Tom fazem parte da comunidade acadêmica da University of Liverpool.

A pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e pela Rufford Foundation do Reino Unido, contando também com a colaboração voluntária de outras pessoas em campo.

Fotos: Jonas Aguiar

Diretrizes para publicação de notícias de pesquisa no Portal da UFLA e Portal da Ciência

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Sendo pequeno o número de profissionais na equipe de Comunicação da UFLA; sendo esse órgão envolvido também com todas as outras demandas de comunicação institucional, e considerando que as reportagens de pesquisa exigem um trabalho minucioso de apuração, redação e revisões, não é possível pautar todas as pesquisas em desenvolvimento na UFLA para que figurem no Portal da Ciência e no Portal UFLA. Sendo assim, a seleção de pautas seguirá critérios jornalísticos. Há também periodicidades definidas de publicação.

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