O professor de Filosofia Vanderlei Barbosa e a professora de Literatura Dalva Lobo, ambos do Departamento de Educação da UFLA, partem da filosofia e da poesia para refletir sobre os efeitos da pandemia, no livro “A revolução pelo ócio: lições poético-filosóficas para o século XXI”. Escrito entre o final do mês de março e meados de abril de 2020, a partir da casa dos autores, no período da quarentena, o livro apresenta reflexões sobre como o vírus pode trazer algumas lições para a humanidade.

O conteúdo apresentado percorre clássicos da filosofia, da literatura e da poética, transitando por caminhos da teologia e, principalmente, pela experiência existencial dos autores. O livro é um mosaico de pequenos ensaios de urgências, cuja tese é muito simples, mas decisiva: não podemos continuar no caminho que seguimos até agora. É imperativo mudar. Na visão dos autores, se uma pandemia como essa, em escala planetária, não levar a novas formas de ação preventiva, da próxima vez não seremos perdoados.

Para o professor Vanderlei Barbosa, a pandemia deveria provocar ações de transformação na ciência, na política, na imprensa e na educação. “Agora que o planeta aquietou, então podemos ver a profunda interdependência orgânica que existe entre todas as coisas e repensar nossas práticas de vida”. A professora Dalva Lobo, por sua vez, pondera que “a fluidez rompeu as fronteiras democratizando, no ar, o vírus, para toda a humanidade que, atônita, procura saídas e respostas”.

De acordo com os autores, precisamos mudar nossa relação com a natureza, pois a forma de exploração da agricultura predatória, das queimadas, dos desmatamentos, causa a mudança climática que, por sua vez, causa mudanças nos habitats naturais das espécies, gerando o desequilíbrio que é a origem de todos os dramas humanitários, entre eles a epidemia. 


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A UFLA produz muitas pesquisas e também é fonte de muita ciência! Que tal compartilhar essas produções que dão tanto Orgulho de ser UFLA e ainda participar de uma exposição fotográfica virtual em homenagem aos 112 anos da Universidade?
Como parte da programação de aniversário da UFLA, no dia 8/9 será realizada uma ação coletiva no Instagram de fotos sobre pesquisas científicas desenvolvidas na UFLA. Podem ser compartilhadas fotos antigas ou recentes, de pesquisas concluídas ou em andamento, de todas as áreas de conhecimento.
Para participar, publique, no Instagram (em modo público), uma foto que represente sua pesquisa na UFLA com a hashtag #CiênciaUFLA e um breve resumo sobre o trabalho.
Faremos repost durante todo o dia 8/9 no Instagram @cienciaufla. As fotos que seguirem as orientações irão participar da exposição virtual que ocorrerá no site especial do aniversário.

valter Estudo aponta riqueza da identidade do brasileiro pelo uso do vocabulário

 

 Como você nomeia o tradicional alimento da culinária brasileira que é uma raiz branca por dentro, coberta   por uma casca marrom? Se respondeu mandioca, macaxeira ou aipim, saiba que tanto faz porque todas as   variações são válidas. A riqueza do vocabulário do País são traços marcantes da identidade do brasileiro. 

 Com o intuito de mapear a variação do vocabulário na região Sudeste, uma pesquisa do Departamento de   Estudos da Linguagem da Universidade Federal de Lavras (DEL/UFLA), coordenada pelo professor Valter   Romano, fez a mesma pergunta para 316 pessoas de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito   Santo. O estudo revelou a recorrência apenas do uso dos termos aipim e mandioca. 

 “Mineiros e paulistas falam principalmente mandioca, enquanto cariocas e capixabas usam a palavra aipim.   Na hora de denominar as variações desse alimento, os entrevistados não disseram macaxeira”, informou o pesquisador, que está aplicando o mesmo questionário para a população das demais regiões do País.

 

O pesquisador interpreta esses resultados a partir de fenômenos sociolinguísticos, como  os movimentos migratórios ocorridos no Brasil. “Essa raiz tuberosa marca a brasilidade do País à medida que resgata informações da nossa identidade, inclusive do período anterior à chegada dos portugueses na América do Sul. Tanto é que está presente em mitos e lendas indígenas. Na região Norte, ela representa um dos produtos mais importantes da agricultura local”, explica. 

A falta de conhecimento a respeito do tema também causa curiosidade e erros, segundo o pesquisador. “É comum se acreditar que aipim é usado apenas no Rio de Janeiro, o que não é verdade”, afirma.  

 

mandioca

Atlas Linguístico do Brasil

A pesquisa faz parte do projeto Atlas Linguístico do Brasil (ALiB) que, em conjunto  com outras  universidades  e dirigido por comitê nacional do qual Valter Romano  integra, pretende mapear a  grande variação da fala  brasileira, tanto do ponto de vista  lexical quanto fonético. Para isso, são  aplicados diversos tipos de  questionários.

No caso da variação vocabular da mandioca, resultados preliminares já apontaram,  por exemplo,  que o  termo aipim volta a ser usado no litoral sul de São Paulo, litoral  do Paraná, parte de Santa  Catarina e se espalha no Rio Grande do Sul.  “Encontramos  o uso da palavra aipim, principalmente,  no feixe leste do território  nacional. Mandioca é falado mais em Minas Gerais, São Paulo, no norte  do Paraná,  regiões Norte e Centro-oeste”, adianta.  No Nordeste sobressai o uso da expressão   macaxeira. 

Já para quem vive no Nordeste e Norte do Brasil, mandioca nomeia o tipo de raiz sem  finalidade  alimentícia por ser venenosa, que também pode ser chamada de mandioca  brava. 

 

 

 

 

  

 


Reportagem: Pollyanna Dias, jornalista- bolsista 

Edição do vídeo: Eder Spuri – Comunicação / UFLA   

 

 

 

 

A pandemia de Covid-19 tem demonstrado o quanto é importante o contato dos cidadãos com a ciência, para que possam decidir sobre o melhor comportamento a adotar, por exemplo, com as práticas de prevenção, ou sobre que medidas políticas defender na saúde pública. Mas, como têm sido construídos os textos jornalísticos sobre as pesquisas científicas das universidades federais de Minas Gerais, ao longo dos anos? Eles têm potencial para estimular, entre os cidadãos, o debate público e subsidiar suas decisões?

Ao buscar respostas para essas questões, um estudo da Universidade Federal de Lavras (UFLA) analisou 15 anos de publicações feitas por três universidades mineiras em seus portais na internet e a repercussão de parte desses textos na imprensa e nos projetos de lei tramitados no legislativo mineiro. Constatou-se que essas comunicações ainda têm limitações quanto a fomentar práticas dialógicas e argumentativas, que busquem envolver o cidadão com as questões da ciência, mobilizar a opinião pública e influir em decisões legislativas. 

De acordo com o estudo, entre 2004 e 2018, as publicações sobre ciência das universidades federais de Lavras (UFLA), Viçosa (UFV) e Minas Gerais (UFMG) não chegaram a 3% do total de notícias nos seus portais, mesmo sendo elas instituições de destaque na produção científica. Mas houve um aumento expressivo na soma de publicações dessas notícias a cada quinquênio (crescimento de 366% no período 2009-2013 e de 411% no período 2014-2018).  E os números são maiores em instituições que possuem uma estrutura mais adequada na Comunicação Organizacional, com uma equipe de profissionais que viabilize as produções. 

A autora da pesquisa, Ana Eliza Alvim, que concluiu o doutorado no Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA/UFLA), argumenta que a frequência com que um assunto aparece na mídia e o número de veículos que se envolve na divulgação são fatores que contribuem para que o tema se torne pauta do debate público. “Nossos resultados sugerem não haver ainda um planejamento no sentido de tornar recorrente a abordagem de determinados temas de pesquisa e de haver esforços conjuntos entre as universidades para publicações simultâneas que possam mobilizar maior repercussão na imprensa e na sociedade”.

Meio ambiente e sustentabilidade em destaque

O estudo também constatou que a maior parte das publicações sobre pesquisas, considerada a soma das três instituições, está ligada ao macrotema Meio Ambiente e Sustentabilidade. Na UFLA, por exemplo, de 337 matérias de pesquisa publicadas até 2018, 98 (30%) envolviam temas relacionados a sustentabiblidade.

A partir desse destaque em assuntos de meio ambiente, que ocorreu também nas outras duas universidades analisadas, foram selecionadas, para análise dos discursos, as publicações sobre pesquisas relacionadas à água e que tiveram repercussão considerável em veículos on-line. De acordo com o apurado, 25% das pesquisas tiveram uma repercussão considerável, originando no mínimo 5 outros novos textos na mídia (faixa acima da média de repercussão, que foi de 4 novos textos). A maioria (48%) teve de 1 a 4 repercussões e 23% não originaram outra publicação disponível na Internet.

Discursos que ainda podem aperfeiçoar o estímulo ao diálogo 

Foram selecionados para análise crítica os discursos de 23 textos jornalísticos. Quanto aos aspectos textuais relativos à compreensibilidade das publicações, primeira condição para haver diálogo possível com o público, os resultados mostram que há esforços de seus autores pela democratização, com o uso de expressões que buscam tornar a linguagem mais acessível e com a organização da estrutura da notícia de forma a facilitar a compreensão no momento da leitura. Porém, fragilidades ainda são identificadas, como o uso de termos desconhecidos do leitor não especializado, sem as devidas explicações, como “comunidades macrófitas” ou “agentes patogênicos”, por exemplo.

Considerando as notícias de pesquisa como argumentos apresentados à sociedade para defender determinado resultado, o estudo identificou que muitas informações são tratadas como pressuposições, como se fossem consenso para a população. Isso limita o diálogo sobre pontos que podem ainda exigir a busca de um entendimento comum. O estudo também destaca a ausência de pessoas da comunidade sendo citadas nos textos, na avaliação das pesquisas ou na contextualização do assunto. “Quando são citados, em geral não têm fala direta no texto. Como qualquer pesquisa afeta, de uma maneira ou outra, a vida das pessoas, seria importante ouvi-las, inserir no texto a sua visão da questão e posição no contexto, o que é importante para estimular outros cidadãos a sentirem-se parte do assunto e encorajados a ingressar na discussão. Se há vozes da comunidade no texto, as pessoas percebem que a pesquisa não é apenas algo de interesse do pesquisador, da Universidade, das empresas que podem se beneficiar daquele conhecimento. Priorizar a inclusão dos cidadãos seria uma forma de mostrar, pelo texto, que o tema é também de interesse mais amplo da sociedade”, explica a autora da tese.

Interrogações e contrapontos nos textos

Uma fragilidade dos discursos, como argumentos, é que, embora toda pesquisa científica seja constituída em torno de afirmações passíveis de questionamentos, poucas interrogações e contrapontos estão presentes, tanto na composição do próprio texto quanto nos comentários dos leitores.  “Esse resultado revela que estamos compartilhando as informações científicas ainda sem demonstrar ao cidadão que a ciência se baseia na construção de conhecimento, na evolução contínua do conhecimento gerado. Quando apresentamos a ciência aparentemente isenta de interrogações e de pontos por esclarecer, podemos prejudicar sua credibilidade, já que serão vários os momentos futuros pelos quais o cidadão poderá perceber que constatações científicas foram revistas”, avalia o professor José Roberto Pereira, orientador do estudo.

Efeitos na mobilização da esfera política

Foram analisados também 74 textos referentes a projetos de lei relacionados ao tema água, apresentados na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), durante o mesmo período contemplado pela amostragem de textos jornalísticos. Os resultados mostram que houve pouca interface dos projetos com as pesquisas divulgadas pelos textos jornalísticos analisados. Nenhum dos temas coincide. O ponto comum é que alguns valores de base dos argumentos pela sustentabilidade aparecem nos dois tipos de texto (imprensa e legislativo). Em apenas um dos projetos de lei, há a referência a uma pesquisa científica feita por uma universidade. Esses resultados indicam que as fragilidades dos textos como argumentos na esfera pública podem ter repercussões sobre as decisões políticas.

Base teórica e metodológica

O estudo teve como base teórica as reflexões do autor alemão Jürgen Habermas sobre a busca do entendimento entre as pessoas por meio dos melhores argumentos. A institucionalização de políticas que orientem a popularização da ciência torna-se uma proposta para aproximar essa prática do parâmetro normativo de Habermas. A metodologia de análise dos textos foi a Análise de Discurso Crítica (ADC), com base em obras de Norman Fairclough e Teun Van Dijk, incluindo a análise de argumentação de Norman Fairclough e Isabela Fairclough. O trabalho é fruto de tese de doutorado orientada pelo professor do Departamento de Administração e Economia, José Roberto Pereira, e recebeu fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig). A defesa da tese foi realizada em 10 de dezembro.

Para conhecer o estudo completo, acesse a tese no Repositório Instituicional da UFLA.

INFO2

Acreditava-se que áreas tropicais com grandes florestas continham comida suficiente para a pequena população rural. No entanto, os ribeirinhos que vivem ao longo de alguns rios na Amazônia passam fome, apesar de morarem em uma das áreas mais biodiversas do planeta- é o que revela uma equipe de cientistas da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e Lancaster University (UK).

Diretrizes para publicação de notícias de pesquisa no Portal da UFLA e Portal da Ciência

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A Comunicação da UFLA, por meio do projeto Núcleo de Divulgação Científica e da Coordenadoria de Divulgação Científica, assumiu o forte compromisso de compartilhar continuamente com a sociedade as pesquisas científicas produzidas na Instituição, bem como outros conteúdos de conhecimento que possam contribuir com a democratização do saber.

Sendo pequeno o número de profissionais na equipe de Comunicação da UFLA; sendo esse órgão envolvido também com todas as outras demandas de comunicação institucional, e considerando que as reportagens de pesquisa exigem um trabalho minucioso de apuração, redação e revisões, não é possível pautar todas as pesquisas em desenvolvimento na UFLA para que figurem no Portal da Ciência e no Portal UFLA. Sendo assim, a seleção de pautas seguirá critérios jornalísticos. Há também periodicidades definidas de publicação.

Todos os estudantes e professores interessados em popularizar o conhecimento e compartilhar suas pesquisas, podem apresentar sugestão e pauta à Comunicação pelo Suporte. As propostas serão analisadas com base nas seguintes premissas:

  • Deve haver tempo hábil para produção dos conteúdos: mínimo de 20 dias corridos antes da data pretendida de publicação. A possibilidade de publicações em prazo inferior a esse será avaliada pela Comunicação.

  • Algumas pautas (pesquisas) podem ser contempladas para publicação no Portal, produção de vídeo para o Youtube, produção de vídeo para Instagram e produção de spot para o quadro Rádio Ciência (veiculação na Rádio Universitária). Outras pautas, a critério das avaliações jornalísticas, poderão ter apenas parte desses produtos, ou somente reportagem no Portal. Outras podem, ainda, ser reservadas para publicação na revista de jornalismo científico Ciência em Prosa.

  • As matérias especiais de pesquisa e com conteúdos completos serão publicadas uma vez por semana.

  • É possível a publicação de notícias sobre pesquisa não só quando finalizadas. Em algumas situações, a pesquisa pode ser noticiada quando é iniciada e também durante seu desenvolvimento.

  • A ordem de publicação das diversas matérias em produção será definida pela Comunicação, considerando tempo decorrido da sugestão de pauta, vínculo do estudo com datas comemorativas e vínculo do estudo com acontecimentos factuais que exijam a publicação em determinado período.

  • O pesquisador que se dispõe a divulgar seus projetos também deve estar disponível para responder dúvidas do público que surgirem após a divulgação, assim como para atendimento à imprensa, caso haja interesse de veículos externos em repercutir a notícia.

  • Os textos são publicados, necessariamente, em linguagem jornalística e seguindo definições do Manual de Redação da Comunicação. O pesquisador deve conferir a exatidão das informações no texto final da matéria e dialogar com o jornalista caso haja necessidade de alterações, de forma a se preservar a linguagem e o formato essenciais ao entendimento do público não especializado.

Sugestões para aperfeiçoamentos neste Portal podem ser encaminhadas para comunicacao@ufla.br.



Plataforma de busca disponibilizada pela PRP para localizar grupos de pesquisa, pesquisadores, projetos e linhas de pesquisa da UFLA