Diretrizes para publicação de notícias de pesquisa no Portal da UFLA e Portal da Ciência

A Comunicação da UFLA, por meio do projeto Núcleo de Divulgação Científica e da Coordenadoria de Divulgação Científica, assumiu o forte compromisso de compartilhar continuamente com a sociedade as pesquisas científicas produzidas na Instituição, bem como outros conteúdos de conhecimento que possam contribuir com a democratização do saber.

Sendo pequeno o número de profissionais na equipe de Comunicação da UFLA; sendo esse órgão envolvido também com todas as outras demandas de comunicação institucional, e considerando que as reportagens de pesquisa exigem um trabalho minucioso de apuração, redação e revisões, não é possível pautar todas as pesquisas em desenvolvimento na UFLA para que figurem no Portal da Ciência e no Portal UFLA. Sendo assim, a seleção de pautas seguirá critérios jornalísticos. Há também periodicidades definidas de publicação.

Todos os estudantes e professores interessados em popularizar o conhecimento e compartilhar suas pesquisas, podem apresentar sugestão e pauta à Comunicação pelo Suporte. As propostas serão analisadas com base nas seguintes premissas:

  • Deve haver tempo hábil para produção dos conteúdos: mínimo de 20 dias corridos antes da data pretendida de publicação. A possibilidade de publicações em prazo inferior a esse será avaliada pela Comunicação.

  • Algumas pautas (pesquisas) podem ser contempladas para publicação no Portal, produção de vídeo para o Youtube, produção de vídeo para Instagram e produção de spot para o quadro Rádio Ciência (veiculação na Rádio Universitária). Outras pautas, a critério das avaliações jornalísticas, poderão ter apenas parte desses produtos, ou somente reportagem no Portal. Outras podem, ainda, ser reservadas para publicação na revista de jornalismo científico Ciência em Prosa.

  • As matérias especiais de pesquisa e com conteúdos completos serão publicadas uma vez por semana.

  • É possível a publicação de notícias sobre pesquisa não só quando finalizadas. Em algumas situações, a pesquisa pode ser noticiada quando é iniciada e também durante seu desenvolvimento.

  • A ordem de publicação das diversas matérias em produção será definida pela Comunicação, considerando tempo decorrido da sugestão de pauta, vínculo do estudo com datas comemorativas e vínculo do estudo com acontecimentos factuais que exijam a publicação em determinado período.

  • O pesquisador que se dispõe a divulgar seus projetos também deve estar disponível para responder dúvidas do público que surgirem após a divulgação, assim como para atendimento à imprensa, caso haja interesse de veículos externos em repercutir a notícia.

  • Os textos são publicados, necessariamente, em linguagem jornalística e seguindo definições do Manual de Redação da Comunicação. O pesquisador deve conferir a exatidão das informações no texto final da matéria e dialogar com o jornalista caso haja necessidade de alterações, de forma a se preservar a linguagem e o formato essenciais ao entendimento do público não especializado.

Sugestões para aperfeiçoamentos neste Portal podem ser encaminhadas para comunicacao@ufla.br.

A expansão do câmpus universitário é visível, seja em relação à comunidade acadêmica ou às edificações. Mas, algo que se destaca em meio a essa ampliação é o cuidado em preservar o meio ambiente. Mapeamento realizado do uso da terra do câmpus da Universidade Federal de Lavras (UFLA) aponta que em meio ao crescimento e expansão de áreas urbanizadas, é notório o aumento da vegetação natural na Instituição.

Para esse levantamento, a coordenadora do estudo, professora Elizabeth Ferreira, do Departamento de Engenharia Agrícola (DEA/ESCOLAENG/UFLA), mapeou vários tipos de uso e cobertura  existentes no câmpus, que no final foram agrupados em cinco classes: áreas urbanizadas, áreas de vegetação natural, áreas agrícolas,  água e outros usos.

“O mapa de 2020 foi feito a partir de imagens do satélite SuperView, utilizando técnicas de sensoriamento remoto, que incluem vários procedimentos até chegar à fase de interpretação das imagens. Nessa fase, as áreas são identificadas, digitalizadas, associadas às classes de uso pré-estabelecidas e medidas. A metodologia adotada na construção dos mapas de uso seguiu as normas técnicas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)”, explica Elizabeth.  

A professora Elizabeth realiza estudos de mapeamento do câmpus desde 2009, ano em que foi feito um levantamento do uso atual da terra, a partir de imagens do satélite QuickBird. Dessa maneira, ao comparar o mapeamento do câmpus no ano de 2020 com o ano de 2009, percebe-se que as áreas de vegetação natural aumentaram, áreas essas que foram recuperadas e outras reflorestadas. "As áreas de vegetação natural incluem: floresta, mata ciliar, cerrado, capoeira, brejo, áreas de preservação permanente, mato e reflorestamento. Comparativamente, nos estudos feitos em 2020 e 2009, aumentaram as áreas de vegetação natural e as urbanizadas, já as áreas de cultivo agrícola sofreram uma diminuição", ressalta. 

A professora Elizabeth comenta ainda sobre levantamentos anteriores, em que foram utilizadas fotografias aéreas. "Com estudos feitos usando as fotos aéreas de 1964, 1971, 1979, 1985 e agregando aos estudos dos anos de 2009 e 2020, em que foram usadas as imagens de satélite, a conclusão geral foi que o percentual das áreas de vegetação natural aumentou. Nesse período houve um aumento na classe água, em virtude da construção das represas, sendo que a primeira represa apareceu na foto de 1971. Houve também aumento nas áreas urbanizadas, sendo que a maior urbanização ocorreu a partir de 2009,  consequência da expansão da UFLA  e do maior número de pessoas que passaram a utilizar o câmpus”. 

Esses mapeamentos de uso e cobertura da terra são muito utilizados para planejamentos urbano e rural. “Esse levantamento é importante para que a diretoria executiva da UFLA possa tomar decisões de maneira mais eficiente de quais serão os futuros usos das áreas do câmpus”.

Estudo em números

A área do câmpus da UFLA mapeada foi de 476 hectares. Para fazer os levantamentos nos anos estudados (1964 a 2020), a pesquisadora utilizou cinco classes de uso da terra: áreas urbanizadas, áreas de vegetação natural, áreas agrícolas, água e outros usos. 

Resultados (em percentagem) para cada ano:

CLASSES DE USO DA TERRA

ANOS ESTUDADOS

1964

1971

1979

1985

2009

2020

1. Áreas Urbanizadas

1%

5%

9%

10%

14%

24%

2. Áreas de Vegetação Natural

17%

18%

20%

24%

26%

29%

3. Áreas Agrícolas

81%

75%

69%

63%

58%

45%

4. Água

-

-

1%

1%

2%

2%

5. Outros Usos

-

2%

1%

2%

1%

-

Assista ao vídeo e saiba mais: 

Apuração e redação: Greicielle Santos

Roteiro: Samara Avelar

Imagens: Sérgio Augusto

Edição do vídeo: Eder Spuri

Se os recursos digitais já faziam parte da nossa rotina, a emergência da pandemia de Covid-19 explicitou nossa dependência das tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), seja para realização de trabalhos remotamente, seja para ensino e aprendizagem, lazer e entretenimento e, até mesmo, para a manutenção das relações afetivas. 

Conversamos com o professor do Departamento de Ciência da Computação André Pimenta sobre como as ferramentas de comunicação on-line têm sido utilizadas em diferentes segmentos da sociedade, seu papel nas transformações nas relações de trabalho e os desafios do Brasil para o aprimoramento e ampliação do acesso a esses recursos. 

Como o uso das TICs contribui neste contexto de distanciamento social e de combate à pandemia da Covid-19?

O uso das TICs se mostra fundamental em situações como a crise causada pela pandemia do novo coronavírus.  O isolamento social tornou-se necessário para evitar o crescimento do número de infecções e a sobrecarga dos serviços de saúde e, nesse cenário, pessoas de todo o mundo tiveram que adaptar suas rotinas para manterem-se isoladas.

Recursos de comunicação por áudio e vídeo têm aliviado a falta de contato com pessoas queridas.  Ferramentas como WhatsApp, Skype, Zoom, Google Meet, entre outras, têm sido utilizadas por pessoas que não podem se encontrar pessoalmente.

Diversos negócios passaram por adaptações para se manterem em funcionamento, utilizando de maneira mais intensa serviços de entrega e pedidos por plataformas de comércio eletrônico, ou até com o uso do aplicativo Whatsapp para atender às demandas de seus clientes.  A cidade de Lavras (MG), por exemplo, contava com número limitado desse tipo de serviço e, rapidamente, lojas de hortifruti e supermercados aceleraram o movimento para vendas on-line, assim como outros serviços.

Mesmo antes da pandemia do novo coronavírus, uso das TICs já havia modificado de forma significativa as relações de trabalho.  No meio acadêmico, a realização de bancas de trabalho de conclusão de curso com uso de tecnologias de videoconferência também já havia crescido de forma pronunciada, com o objetivo de reduzir os custos de locomoção.  Com a pandemia, a realização de reuniões, aulas, e até mesmo consultas com tecnologias de telemedicina, tem se tornado cada vez mais frequente.

Você acredita que as mudanças nas relações de trabalho são permanentes?

De fato, a utilização intensiva de TICs para realização de atividades de trabalho, antes consideradas exceções para poucos trabalhadores em regime de home office, vai mostrar para muitas pessoas a possibilidade de novos caminhos e novas formas de trabalhar, que antes eram vistas com reserva.

Para muitas empresas, a situação vivenciada na pandemia vai mostrar que certos tipos de trabalho podem ser realizados em regime de trabalho remoto, sem prejuízos à qualidade e com redução de custos operacionais e de transporte.  A vivência dessa situação mostrará para as organizações como ponderar melhor quais atividades podem ser realizadas remotamente e quais, de fato, necessitam de realização presencial.

Estar conectado em tempo integral pode intensificar as jornadas de trabalho. Alguma orientação para lidar melhor com as TICs nessa nova relação com o trabalho?

O trabalho em regime de home office traz diversos desafios. Em termos de produtividade de trabalho, a principal recomendação de especialistas é de tentar criar um ambiente apropriado para o trabalho, com um espaço adequado, e com o maior isolamento possível.  É importante estabelecer regras com a família ou com outras pessoas que dividem a mesma casa para que o espaço do trabalho seja respeitado.

Computadores e ferramentas devem favorecer a ergonomia e o bem-estar.  Como as reuniões passam a ser por vídeo no próprio computador, aumenta-se muito o tempo visualizando uma tela, o que pode causar cansaço visual.  Por isso, é importante intercalar tempos de trabalho no computador com tempo sem exposição a telas.

É importante também estabelecer limites adequados de tempo para trabalho e o tempo dedicado a amigos, família e lazer.  A falta de tempo para hobbies e outras atividades de lazer e descanso pode ser muito prejudicial para a saúde.

Do ponto de vista tecnológico, o Brasil estava preparado para o consumo de internet dessa maneira? 

O Brasil tem reiteradamente mostrado necessidade de melhorias em sua infraestrutura de telecomunicações e internet.  Infelizmente, ainda há alcance limitado de internet banda larga em vários locais do País, e, em muitas cidades, a infraestrutura ainda está muito aquém das necessidades de rede para serviços como comunicação por vídeo e uso de streaming para entretenimento, em plataformas como Netflix, Youtube, Amazon Prime e outras, que demandam banda para grandes volumes de dados.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) afirmou que, durante a pandemia, houve aumento de 40% a 50% no consumo de banda larga no País.  Em cidades como Lavras (MG), apesar de não haver dados específicos, pessoas que trabalham em regime de home-office têm relatado problemas com instabilidade em suas conexões, o que é reflexo de infraestrutura com pouco preparo para o aumento do volume de tráfego de dados.

No Brasil, uma parcela significativa da população não tem acesso a essas tecnologias. Como lidar com esse desafio?

A edição mais recente da Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros, publicada em 2018 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, estimou que 70% da população brasileira tinha acesso à internet.  Entretanto, há grande diferença entre população urbana e rural.  Enquanto 74% da população urbana tinha acesso à internet, somente 49% da população em áreas rurais tinham acesso a esse recurso. 

A desigualdade social também mostra seus reflexos.  Enquanto o acesso à internet alcançava 92% das pessoas de classe A, 91% da classe B e 76% da classe C, somente 48% das pessoas das classes D e E tinham acesso à internet.

A diferença também é muito marcante em relação à faixa etária.  Enquanto 86% das pessoas com idades entre 25 e 34 anos tinham acesso à internet, somente 28% das pessoas com 60 anos ou mais tinham acesso à internet. 

Como os dados mostram, a desigualdade no acesso a tecnologias e internet no Brasil é reflexo da desigualdade social, com severas diferenças de renda e educação no país.  É preciso considerar ainda que esse acesso tem custo alto para o padrão de renda dos brasileiros.  

Além das iniciativas para redução das desigualdades no Brasil, por meio da promoção de programas de melhoria de educação, trabalho e renda, é importante que haja investimentos na infraestrutura de telecomunicações, de forma que seja possível oferecer serviços de conexão com melhor qualidade e com menor custo à sociedade.

Que tipos de investimentos precisam ser feitos para expandir o uso das TICs e a qualidade do serviço oferecido à população?

O Brasil precisa fazer grande investimento em tecnologias habilitadoras para conexão em rede, principalmente para aumentar o acesso à banda larga, a disponibilização de redes móveis, como o 5G, e a ampliação do alcance da cobertura de rede a locais como áreas rurais e comunidades com problemas de infraestrutura, como favelas e bairros com problemas de urbanização.

É importante, ainda, que sejam intensificadas ações para permitir que as pessoas possam contratar serviços de conexão com custo mais acessível. Grupos que historicamente têm pouco acesso à internet, como idosos e pessoas de baixa renda, também precisam ser atendidos por programas para capacitação no uso desse recurso. 

O que esperar do uso das tecnologias em um mundo pós-pandemia? Você acredita que as TICs irão pautar nossas relações sociais?  

De fato, muitas pessoas e organizações passaram a utilizar TICs de maneira muito mais intensa do que antes da pandemia.  Mesmo tecnologias como a telemedicina, que antes contava com forte rejeição por parte de alguns profissionais da área, passaram a ter avanço na sua utilização com o contexto da pandemia. Assim, é natural que o mundo pós-pandemia veja uma maior utilização das TICs para contatos sociais nas mais diversas esferas.

Um longo processo acontece para que uma carne bovina de boa qualidade chegue até os consumidores. Tudo começa ainda no campo, durante a alimentação dos novilhos. Muitos produtores investem em plantações das quais possa ser retirada essa alimentação, e o milho é uma das mais utilizadas. Mas, o grande desafio é saber a sua qualidade. Além disso, surge um outro problema: o que fazer com o resíduo que permanece no campo após a colheita do milho, quando colhido para silagem de espigas?

Pensando nesses fatores, um estudo inédito no País, realizado por pesquisadores do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (DZO/UFLA), obteve resultados importantes, com proposição de uma nova técnica de alimentação de gado. A pesquisa utilizou a silagem de espiga de milho, e a proposta é que essa seja uma alternativa para uma dieta balanceada, prezando pela qualidade da carne. A ideia é que o resíduo, que fica no campo após a colheita, também complemente a alimentação.

Os pesquisadores avaliaram o efeito dos resíduos e da silagem de milho na alimentação dos animais. O resultado foi positivo, mostrando uma carne de boa qualidade e maciez no acabamento.

A pesquisa

A pesquisa passou por diferentes processos e análises. O professor Thiago Bernardes, coordenador do estudo, explica que foram analisados desde o impacto que o animal poderia causar ao solo em que ficou pastando, até a qualidade da carne.

Segundo ele, a proposta foi trabalhar com silagem de espiga (Snaplage), que é composta por grãos, sabugo e brácteas, uma forma de alimento inicialmente utilizada na Itália, aperfeiçoada alguns anos depois nos Estados Unidos e que chegou ao Brasil por volta de 2013. Esse tipo de sistema tem inúmeras vantagens; porém, o grande desafio realmente é dar destino ao resíduo composto de folha e colmo (caule) que permanece no campo após a colheita.

Além disso, Thiago acrescenta que, primeiro, os pesquisadores fizeram a lavoura e colheram as espigas. “Essas espigas foram para dentro de um silo e foram conservadas em forma de silagem. No período em que essa silagem permaneceu no silo, tempo necessário para que o processo fosse concluído, demos continuidade ao experimento, avaliando o desempenho de novilhas de corte que permaneceram na região dos resíduos da colheita. Posteriormente, avaliamos a compactação do solo, fertilidade do solo, fatores que poderiam ter sofrido impactos pelas novilhas (experimento 1).”

O pesquisador Italo Braz Gonçalves de Lima realizou avaliações do solo em que os animais ficavam, para verificar se ocorreu algum comprometimento nas características químicas e físicas. Segundo ele, “os dados mostraram que não houve alterações e que, por consequência, não afetará a lavoura de milho seguinte”.

Além disso, como citado anteriormente, as espigas foram colhidas, picadas, moídas, colocadas dentro de um silo e, depois de 90 dias, tornaram-se silagem. Após esses meses, no experimento 2, setenta e dois animais foram confinados e divididos em três lotes iguais, recebendo diferentes dietas por um período de 84 dias. Nesse experimento, a pesquisadora Elizanne Lima concluiu que “a silagem de espiga de milho pode substituir a silagem de planta inteira e até mesmo o milho moído seco, pois não foram constatadas grandes diferenças no desempenho dos animais em função das dietas”.

O coordenador Thiago ainda ressalta que, paralelamente a essas análises, houve um estudo de metabolismo para avaliar o desempenho nutricional dos animais. Desta vez, seis animais foram submetidos às mesmas três dietas que os outros bois que tinham sido confinados. “No confinamento nós não temos acesso à parte metabólica dos animais, por isso foi importante que essa pesquisa ocorresse, pois compreendemos de que maneira o metabolismo dos animais reagia às diferentes dietas, e assim, termos resultados mais profundos”.

Nessa etapa, coletas eram realizadas diretas do rúmen do animal, além de coleta de conteúdo do omaso (terceira divisão do estômago dos ruminantes), sangue, urina e fezes, com o intuito de saber o que foi ingerido pelos animais, o que excretaram e quais os nutrientes foram absorvidos por seu organismo. O pesquisador Túlio Gomes Justino, que realizou as análises por seis meses, explica que “os resultados parciais demonstram que o uso da silagem de espiga é eficiente para manter o bom funcionamento no trato digestivo dos animais”.

Durante os experimentos, foram utilizadas, portanto, três fontes de fibra/energia:

1) Silagem de planta inteira de milho + Silagem de grãos de milho reconstituídos + milho moído seco (associação frequente usada em confinamentos comerciais, e por isso considerada “testemunha”);

2) Snaplage + milho moído seco;

3) Apenas Snaplage.

Os demais ingredientes (farelo de soja, farelo de algodão e núcleo) foram idênticos nas três dietas.

Após os animais serem abatidos, a qualidade da carne foi analisada, evidenciando uma carne de boa qualidade para os consumidores.

A equipe

Além do coordenador Thiago, o estudo, iniciado em 2018, conta com a participação dos professores do DZO Mateus Gionbelli, Daniel Casagrande, Márcio Ladeira e Érick Batista, congregando também estudantes de graduação e de pós-graduação dos núcleos de estudos em Forragicultura (Nefor) e Pecuária de Corte (Nepec).

Texto original escrito por Greicielle Santos: confira na edição 5 da Revista Ciência em Prosa, páginas 24 a 26.

Adaptações: Claudinei Rezende da Silva.

Imagens: Sérgio Augusto

Edição do vídeo: Eder Spuri

A data de 26 de abril é considerada Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, doença popularmente conhecida como pressão alta, que tem como um de seus principais vilões o consumo excessivo de sódio, substância presente no sal de cozinha e em alimentos processados. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019, cerca de 38,1 milhões de brasileiros têm pressão alta, o que corresponde a 23,9% da população acima de 18 anos.

A doutora em Ciência dos Alimentos pela UFLA Carla Saraiva Gonçalves pesquisou, em sua tese, o comportamento do consumidor em relação ao sódio. Os principais objetivos da pesquisa foram identificar estratégias eficazes para a conscientização sobre os riscos do consumo elevado da substância, bem como verificar fatores que interferem na mudança de comportamento em relação à alimentação. “Essas informações podem subsidiar as empresas na elaboração de planos de marketing, e os governos a traçar políticas públicas”, afirma.


Alerta para a saúde

Para identificar as melhores estratégias de conscientização sobre o tema, a pesquisadora avaliou se o tipo de informação fornecida e a forma como ela é transmitida afetam a compreensão e a atitude dos consumidores em relação ao sódio.

A pesquisa envolveu 144 participantes voluntários, divididos aleatoriamente em seis grupos. Cada um desses grupos foi submetido a uma forma de comunicação diferente sobre o consumo de sódio: foram utilizadas desde estratégias passivas, baseadas na transmissão de conhecimentos - via leitura de materiais, por exemplo - até estratégias mais ativas, envolvendo diretamente os participantes com o conhecimento adquirido. A abordagem também variou de tons brandos a autoritários e “agressivos”, isto é, com a exposição dos reais malefícios do consumo excessivo.

Entre os resultados obtidos, os pesquisadores identificaram que, para a conscientização sobre os riscos do sódio, a abordagem “agressiva” é mais eficaz do que a branda. “Ensinamentos mais profundos e mais realistas levam a uma melhor aprendizagem”, afirma Carla.

O estímulo para a mudança de comportamento também é mais eficaz quando baseado em situações concretas. “O uso de informações chocantes, como a taxa de mortalidade associada a doenças cardiovasculares e os elevados gastos com o tratamento dessas doenças, é um instrumento importante para influenciar os consumidores a mudar o seu comportamento”, exemplifica a pesquisadora.


Embalagens mais atrativas

Inicialmente, foi realizado um trabalho com cerca de 30 voluntários, organizados em quatro grupos - homens e mulheres ativos (que praticam atividades físicas mais de três vezes por semana) e homens e mulheres sedentários -, para identificar os fatores que mais influenciam a intenção de compra. Após uma discussão geral sobre o consumo de sódio, foram apresentadas aos participantes embalagens de produtos lácteos e de carne processada. Em seguida, foi realizada uma discussão com o objetivo de identificar os dizeres e as cores mais eficazes para a rotulagem desse tipo de produto.Uma vez consciente da necessidade de ingerir alimentos com menos sódio, como o consumidor toma a decisão de adquirir um produto? Que aspectos podem interferir na compra? A pesquisadora procurou responder a essas perguntas com base em embalagens experimentais, criadas para essa finalidade.

As informações geradas nesses grupos serviram de base para a criação de nove embalagens, com variações nos tipos de produto, nos textos e nas cores. Essas embalagens foram, então, submetidas a uma pesquisa on-line, que contou com a participação de 745 consumidores.

embalagem sodio1      embalagem sodio2     embalagem sodio3

Imagens de embalagens experimentais, com variações nos tipos de produto, texto e cor


Os resultados indicaram que os textos impressos nas embalagens exercem grande influência na decisão de compra. Mais da metade dos participantes afirmaram que a compra é afetada por essa informação. Entre os textos utilizados nos rótulos experimentais - “light”, “menos 25% de sódio” e “conteúdo com menos sódio” -, o mais eficaz foi o que transmitiu a informação de forma clara e objetiva: “menos 25% de sódio”.

A cor dos rótulos também foi apontada como um fator de influência. “Na opinião da maioria dos participantes, cores claras, como azul e verde, estão mais associadas à ideia de produtos leves, com reduzido teor de sódio. Por outro lado, a cor menos eficaz para esse tipo de comunicação é o vermelho”, resume Carla.

 

Sal nosso de cada dia

sodioO sódio é um mineral indispensável para o correto funcionamento do organismo humano. Sua ingestão em doses adequadas contribui para processos como a regulação da pressão sanguínea, a transmissão de impulsos nervosos e a contração muscular.

O limite de consumo considerado saudável pela Organização Mundial de Saúde (OMS) corresponde a cerca de 2g de sódio por dia.

O brasileiro ingere, atualmente, cerca de 4,8g de sódio por dia, mais do que o dobro do consumo máximo sugerido pela OMS.

O cloreto de sódio, popularmente conhecido como sal de cozinha, é o alimento humano que contém maior teor de sódio. Os cristais que compõem esse sal são constituídos por cerca de 40% de sódio e 60% de cloro.

 



Plataforma de busca disponibilizada pela PRP para localizar grupos de pesquisa, pesquisadores, projetos e linhas de pesquisa da UFLA