Estudos realizados na UFLA se estendem também a outras culturas e são promissores para a tradicional combinação  do arroz com feijão.

Alimento frequente na mesa do brasileiro, o feijão é fonte importante de nutrientes (proteínas, carboidratos, fibras, vitaminas e minerais). O teor desses nutrientes na leguminosa pode ser ampliado, por meio da biofortificação, um procedimento que pode ser feito principalmente pela adubação da cultura (biofortificação agronômica) ou por melhoramento genético (biofortificação genética). Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Lavras (UFLA) avaliou o potencial de cultivares de feijoeiro-comum à biofortificação agronômica com Ferro (Fe), Zinco (Zn) e Selênio (Se) – micronutrientes importantes tanto para a saúde humana como para as plantas.

Na primeira fase do estudo, realizada em casa de vegetação da Universidade de Cornell, Estados Unidos, os experimentos envolveram dez cultivares brasileiras de feijão, mantidas em soluções nutritivas com Fe, Zn e Se. Foram, então, avaliados o teor dos minerais nos grãos de feijão e o crescimento das plantas, assim como a biodisponibilidade* de ferro nos grãos fortificados com Zn e Se. Os resultados mostraram que a biofortificação simultânea dessas cultivares com os minerais estudados, mesmo em baixas doses, é promissora e não afeta a biodisponibilidade de ferro no alimento.


Primeira fase da pesquisa ocorreu em casas de vegetação da Universidade de Cornell.

Já em uma segunda etapa, realizada no campo (em Patos de Minas – MG), as cultivares foram adubadas com zinco, via solo e foliar, tendo o objetivo de se verificar se essa estratégia de adubação teria impacto nos teores de ferro e zinco nos grãos e no rendimento das cultivares de feijoeiro-comum. Apesar de a adubação com zinco não ter influenciado no rendimento das plantas, proporcionou alto teor de zinco nos grãos, com um resultado que representa 27% da ingestão diária recomendada para esse micronutriente em seres humanos.

A pesquisa foi concluída em 2016, fruto da tese de doutoramento de Marislaine Alves de Figueiredo, orientada pelo professor Messias José Bastos de Andrade, do Programa de Pós-graduação em Agronomia/Fitotecnia, e coorientada pela professora Li Li (da Universidade de Cornell) e pelo professor Luiz Roberto Guimarães Guilherme (do Departamento de Ciência do Solo da UFLA). Os resultados obtidos contribuíram principalmente pela confirmação de que a biofortificação das cultivares de feijão com Fe, Zn e Se tem resultados promissores.

De acordo com o Anuário da Agricultura Brasileira, de 2015, o consumo de feijão no Brasil é de 18 kg por pessoa por ano. O alimento supre de 10% a 20% das necessidades de nutrientes necessárias a um adulto por dia. A produção de feijão comum no País é uma das maiores do mundo (13%). Assim, a possibilidade de se enriquecer o feijão comum com micronutrientes vai ao encontro do combate à desnutrição, colaborando para o enfrentamento de um grave problema de saúde pública.


A deficiência de ferro no ser humano é responsável por manifestações como anemias, dores de cabeça, queda de cabelo, hipotireoidismo, entre outras. Já a falta de zinco pode causar danos ao cabelo, pele e unhas; prejuízos ao desenvolvimento cognitivo; fígado aumentado; susceptibilidade a infecções; degeneração da retina e cegueira noturna, etc. A carência de selênio também deixa o organismo humano mais susceptível a doenças e pode estar associada ao cansaço mental; hipotireoidismo; infertilidade masculina; problemas cardiovasculares, entre outros.

Arroz e feijão: uma combinação estratégica


No Departamento de Ciência do Solo (DCS) da UFLA são realizadas, desde 2010, sob a coordenação do professor Luiz Roberto Guimarães Guilherme, diferentes pesquisas focadas na biofortificação de alimentos, incluindo culturas como alface, soja, mandioca, trigo e  brássicas (como brócolis, couve-flor, couve manteiga, couve de Bruxelas e outros). Os estudos envolvem principalmente os micronutrientes Fe, Se, Zn e iodo (I). O arroz e o feijão não ficam de fora da lista de alimentos pesquisados e os resultados mostram que eles constituem uma dobradinha de alto valor para o brasileiro. De acordo com o professor Luiz Roberto, cada um deles tem potencial diferenciado para biofortificação com determinado nutriente. “O arroz é mais propício ao enriquecimento com zinco e o feijão com selênio. Logo, a combinação é promissora para o combate às carências nutricionais da população”, diz.

Atualmente, o professor Luiz Roberto é o coordenador no Brasil, em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), de um projeto internacional de biofortificação de alimentos – o “HarvestZinc“. Em sua terceira fase, iniciada em 2015, o projeto busca avaliar os efeitos do enriquecimento de alimentos com zinco e iodo, via solo e foliar. Investe-se na avaliação de estratégias agronômicas para enriquecimento das culturas de arroz e trigo, que são fonte de alimentação básica de grande parte da população mundial, incluindo o Brasil.

*a biodisponibilidade refere-se à quantidade de um nutriente que é efetivamente absorvida e utilizada pelo organismo. Assim, a concentração do nutriente no alimento não significa que todo ele será absorvido pelo organismo. Alguns fatores podem provocar o aumento ou redução da biodisponibilidade de nutrientes, como por exemplo, fitatos e polifenóis.

Leia também:

Alimentos biofortificados – Professor da UFLA participa de reunião anual do Projeto HarvestZinc na Tailândia

Com informações de Luiz Alberto Araújo da Silva (bolsista DCOM/DAG/DCF/DCS).

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