Avaliar a qualidade da madeira é um processo técnico, demorado e, muitas vezes, restrito aos laboratórios. Pesagens, cortes, uso de reagentes químicos e dias de espera fazem parte da rotina do setor florestal. Uma pesquisa da Universidade Federal de Lavras (UFLA) quer mudar esse cenário ao levar a análise da madeira para o campo, de forma rápida, precisa e sem a necessidade de alterar o material para avaliar. 

No estudo, os pesquisadores desenvolveram modelos matemáticos capazes de estimar, em tempo real, propriedades da madeira e de outros produtos florestais, como densidade, teor de umidade e até a identificação de espécies. Essas informações são obtidas a partir de dados gerados por sensores que utilizam a tecnologia de infravermelho próximo (NIR).

Para isso, são utilizados espectrômetros NIR portáteis, combinados com ferramentas de análise multivariada de dados, que permitem interpretar os sinais captados pelos sensores. A proposta é que essas análises possam ser feitas diretamente no local onde o material está, como em áreas florestais, pátios de estocagem ou linhas industriais, sem a necessidade de levar amostras para laboratório.

Um dos equipamentos utilizados é o TrinamiX, um espectrômetro portátil baseado nessa mesma tecnologia. Ele trabalha em uma faixa de luz diferente e mais curta, com um nível de resolução distinto, e utiliza sensores mais compactos e uma arquitetura mais recente. Essa configuração torna o equipamento mais acessível, com investimento aproximado de R$70 mil,sendo que o NIR o investimento é de R$250 mil.

Na prática, os equipamentos funcionam como leitores da assinatura química da madeira. Cada amostra reflete a luz do infravermelho de maneira específica, gerando um padrão espectral único. Essa assinatura é analisada por algoritmos de aprendizado de máquina, treinados a partir da comparação entre os dados espectrais e análises tradicionais de laboratório, que servem como referência.

Segundo os pesquisadores, os modelos desenvolvidos conseguem estimar propriedades importantes mesmo em condições consideradas desafiadoras, como madeira úmida, recém-cortada ou com superfícies irregulares. Outro avanço relevante do projeto é a chamada transferência de calibração, que permite que modelos criados em equipamentos de laboratório sejam aplicados em sensores portáteis, ampliando o uso prático da tecnologia.

A inovação abre caminho para aplicações alinhadas ao conceito de Floresta 4.0, com monitoramento digital da qualidade da matéria-prima, maior eficiência nos processos industriais e redução de custos e desperdícios. Além disso, a tecnologia pode se tornar uma aliada importante na fiscalização florestal, ao permitir a identificação de espécies e apoiar o combate à exploração ilegal de madeira.

Financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), o projeto teve início em 2024 e integra uma linha de pesquisa desenvolvida há mais de dez anos no Departamento de Ciências Florestais da UFLA sobre o uso da espectroscopia NIR aplicada à madeira. 

As próximas etapas incluem a ampliação das bases de dados, a integração de diferentes sensores, o refinamento dos modelos de inteligência artificial e o desenvolvimento de sistemas mais automatizados, capazes de operar continuamente em ambientes industriais. A equipe também busca fortalecer parcerias com empresas e instituições internacionais para validar as tecnologias em maior escala.

Coordenada pela UFLA, a pesquisa conta com a colaboração de universidades brasileiras, como a Universidade Federal de Viçosa (UFV), a Universidade Federal do Tocantins (UFT) e a Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), além de cooperação internacional com o Centre de Coopération Internationale en Recherche Agronomique pour le Développement (Cirad),da França. As parcerias incluem missões técnicas, capacitação e atividades conjuntas de análise e interpretação de dados. 

Até o momento, os resultados já renderam artigos científicos publicados em periódicos internacionais, além de dissertações de estudantes brasileiros, peruanos e moçambicanos.


Confira os trabalhos:

Estimativa de lignina e extrativos em eucalyptus comparando equipamentos NIR portáteis

Transferência de calibração para identificação de madeiras tropicais por espectroscopia NIR independente da umidade

Estimativa da umidade de toras de Eucalyptus sp. em campo a partir de espectrometros no NIR portáteis

Impact of wood surface quality on tropical species identification using benchtop and portable NIR spectrometers

Mensuração in situ da variação espacial e cinética da dessorção de água na madeira de Eucalyptus sp. por meio da espectroscopia NIR.

Impact of moisture and nir sensors on calibration transfer between predictive wood density models of Eucalyptus grandis W. Hill ex Maiden

Diretrizes para publicação de notícias de pesquisa no Portal da UFLA e Portal da Ciência

Mais>>

A Comunicação da UFLA, por meio do projeto Núcleo de Divulgação Científica e da Coordenadoria de Divulgação Científica, assumiu o forte compromisso de compartilhar continuamente com a sociedade as pesquisas científicas produzidas na Instituição, bem como outros conteúdos de conhecimento que possam contribuir com a democratização do saber.

Sendo pequeno o número de profissionais na equipe de Comunicação da UFLA; sendo esse órgão envolvido também com todas as outras demandas de comunicação institucional, e considerando que as reportagens de pesquisa exigem um trabalho minucioso de apuração, redação e revisões, não é possível pautar todas as pesquisas em desenvolvimento na UFLA para que figurem no Portal da Ciência e no Portal UFLA. Sendo assim, a seleção de pautas seguirá critérios jornalísticos. Há também periodicidades definidas de publicação.

Todos os estudantes e professores interessados em popularizar o conhecimento e compartilhar suas pesquisas, podem apresentar sugestão e pauta à Comunicação pelo Suporte. As propostas serão analisadas com base nas seguintes premissas:

  • Deve haver tempo hábil para produção dos conteúdos: mínimo de 20 dias corridos antes da data pretendida de publicação. A possibilidade de publicações em prazo inferior a esse será avaliada pela Comunicação.

  • Algumas pautas (pesquisas) podem ser contempladas para publicação no Portal, produção de vídeo para o Youtube, produção de vídeo para Instagram e produção de spot para o quadro Rádio Ciência (veiculação na Rádio Universitária). Outras pautas, a critério das avaliações jornalísticas, poderão ter apenas parte desses produtos, ou somente reportagem no Portal. Outras podem, ainda, ser reservadas para publicação na revista de jornalismo científico Ciência em Prosa.

  • As matérias especiais de pesquisa e com conteúdos completos serão publicadas uma vez por semana.

  • É possível a publicação de notícias sobre pesquisa não só quando finalizadas. Em algumas situações, a pesquisa pode ser noticiada quando é iniciada e também durante seu desenvolvimento.

  • A ordem de publicação das diversas matérias em produção será definida pela Comunicação, considerando tempo decorrido da sugestão de pauta, vínculo do estudo com datas comemorativas e vínculo do estudo com acontecimentos factuais que exijam a publicação em determinado período.

  • O pesquisador que se dispõe a divulgar seus projetos também deve estar disponível para responder dúvidas do público que surgirem após a divulgação, assim como para atendimento à imprensa, caso haja interesse de veículos externos em repercutir a notícia.

  • Os textos são publicados, necessariamente, em linguagem jornalística e seguindo definições do Manual de Redação da Comunicação. O pesquisador deve conferir a exatidão das informações no texto final da matéria e dialogar com o jornalista caso haja necessidade de alterações, de forma a se preservar a linguagem e o formato essenciais ao entendimento do público não especializado.

Sugestões para aperfeiçoamentos neste Portal podem ser encaminhadas para comunicacao@ufla.br.



Plataforma de busca disponibilizada pela PRPI para localizar grupos de pesquisa, pesquisadores, projetos e linhas de pesquisa da UFLA