Em meio ao crescimento acelerado das cidades, fragmentos da Mata Atlântica em áreas urbanas desempenham um papel importante. Um estudo da Universidade Federal de Lavras (UFLA) mostra que essas áreas crescem mais, incorporam mais carbono na estação chuvosa e acumulam mais biomassa ao longo do ano do que áreas fora do ambiente urbano.

A pesquisa analisou dois fragmentos da Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro: um localizado no Parque Nacional da Tijuca, em área urbana, e outro na divisa entre os municípios de Maricá e Saquarema, em região não urbana. O objetivo foi entender como o ambiente e as estações do ano influenciam o crescimento das plantas, especialmente em processos como a fotossíntese e o acúmulo de biomassa, fundamentais para o sequestro de carbono.

Para isso, os pesquisadores utilizaram dados de satélite coletados entre janeiro de 2004 e janeiro de 2024. As informações vieram de sensores MODIS (Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer), que medem a luz refletida pela vegetação e permitem estimar quanto as plantas crescem ao longo do tempo.A produção primária — que indica quanto carbono as plantas incorporam ao crescer por meio da fotossíntese — varia conforme as estações e o tipo de ambiente. Durante a estação chuvosa, o fragmento urbano apresentou maior produção primária do que o fragmento não urbano. Já na estação seca, não houve diferença significativa entre as áreas.

O mesmo não ocorre com o acúmulo de biomassa. Nesse caso, o fragmento urbano apresentou valores superiores tanto na estação seca quanto na chuvosa, indicando um crescimento mais consistente ao longo do tempo.Além disso, considerando os dois fragmentos em conjunto, tanto a produção primária quanto o acúmulo de biomassa foram maiores na estação chuvosa em comparação com a seca, com aumento de cerca de 28%.

Segundo a pesquisadora Wanda Karolina da Silva, autora do estudo, esse desempenho está relacionado a características do ambiente urbano. “Temperaturas mais elevadas, maior concentração de dióxido de carbono (CO 2) e, nas estações chuvosas, maior disponibilidade de água e radiação solar favorecem a atividade fotossintética das plantas. O resultado é um crescimento mais intenso e maior armazenamento de carbono”, explica. 

Os resultados foram publicados na revista científica internacional Acta Oecológica. Além de preencher uma lacuna no conhecimento sobre florestas tropicais urbanas, o estudo reforça a importância da conservação dos fragmentos remanescentes da Mata Atlântica, tanto em áreas urbanas quanto fora delas.

Para o professor Rafael Zenni, os dados reforçam a importância da conservação desses ambientes. “Esses fragmentos não são apenas resquícios do passado. Eles continuam ativos, crescendo, capturando carbono e ajudando a regular o clima”, afirma.

O estudo mostra que preservar áreas verdes nas cidades vai além de uma questão estética ou de lazer. Trata-se de uma estratégia concreta para enfrentar as mudanças climáticas.

A pesquisa foi desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Ecologia Aplicada da UFLA, com orientação dos professores Marcelo de Carvalho Alves e Rafael Zenni, e contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig).

As próximas etapas incluem a análise da produtividade de árvores nativas e exóticas isoladas em paisagens urbanas e rurais de cidades de médio porte em Minas Gerais, ampliando ainda mais a compreensão sobre o papel da vegetação no ciclo do carbono.

Editora responsável: Camila Caetano, jornalista Dcom/UFLA

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