Adesivos são essenciais para a fabricação de produtos à base de madeira reconstituída, como o MDP, o OSB ou o aglomerado, usados na construção civil e na produção de móveis. Comercialmente, ainda predomina o uso de adesivos de materiais sintéticos de origem petroquímica, que apresentam desvantagens relacionadas ao custo, e, sobretudo, à saúde, decorrente do uso de substâncias consideradas cancerígenas. Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Lavras (UFLA), em parceria com a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), inova ao produzir adesivos ecológicos a partir de taninos extraídos das cascas de árvore da Amazônia.

Os taninos são compostos naturais também conhecidos como polifenóis, e podem ser encontrados em diferentes concentrações nos vegetais, e por conta do sabor adstringente que provocam, atuam como importantes aliados na proteção das plantas, principalmente de suas cascas e frutos. O objetivo da pesquisa foi investigar o teor de taninos condensados nas cascas do tronco da espécie Myrcia eximia DC. (Cumatê vermelho), além de avaliar o desempenho desses taninos na produção de adesivos naturais para colagem de madeiras. As cascas foram coletadas em uma floresta secundária na Amazônia, no município de São João da Ponta, Estado do Pará. “Apesar de serem encontrados em diferentes vegetais e serem vantajosos economicamente, enfrentamos um problema em relação ao uso dos taninos, pois sua oferta é limitada, existindo, assim, o interesse de conhecer novas espécies arbóreas com bons rendimentos em compostos tânicos para atender mercados futuros”, afirma Elesandra da Silva Araujo, mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência e Tecnologia da Madeira (PPGCTM) da UFLA.

Entre os principais resultados da pesquisa, foi constatado que é possível obter até 33% de taninos condensados do extrato das cascas de M. eximia, conteúdo tânico similar e até então superior ao das principais espécies florestais comerciais cultivadas no Brasil para extração desses compostos químicos. Além do bom rendimento em taninos encontrado na espécie, foi verificado, por meio dos resultados das propriedades físico-químicas e resistência mecânica do adesivo produzido, o potencial uso desses taninos na produção de novos adesivos naturais para colagem de madeiras. 

arvore tanino       maceracao tanino       extração de taninos

Produção de adesivo à base de taninos condensados do extrato das cascas de M. eximia

A pesquisa foi realizada com a orientação do professor da Escola de Ciências Agrárias de Lavras (Esal/UFLA) Fábio Akira Mori e coorientação das pesquisadoras Graciene da Silva Mota da Faculdade de Ciência Naturais (FCN/UFLA) e Marcela Gomes da Silva(ICA/UFRA). O financiamento foi realizado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Inovação e sustentabilidade

Segundo Elesandra, atualmente a única espécie utilizada comercialmente no Brasil para extração de taninos é a “Acácia Negra”. A composição química dos taninos permite sua aplicação em diversos produtos em substituição a algum componente de origem não renovável. Em adesivos, os taninos atuam reduzindo a emissão de formaldeído, principal problemática ambiental associada aos adesivos de painéis de madeira derivados de recursos fósseis. 

“Além de contribuir para a produção mais limpa do setor de painéis de madeiras, nosso estudo evidencia a importância de conhecer a rica composição das espécies florestais da Amazônia, principalmente diante da atual situação de enorme perda de biodiversidade do bioma, causada pelo desmatamento dos últimos meses”, afirma a pesquisadora.

Elesandra destaca também que ainda existem muitas espécies com potencial tânico desconhecido, que poderiam contribuir para a geração de renda nas comunidades locais, por meio do manejo florestal sustentável das cascas para extração comercial dos taninos, conciliando o uso com a conservação das espécies florestais.  “As árvores não são derrubadas, são retiradas somente as cascas, em certas regiões ao longo do tronco do vegetal. Após algum período de tempo, essas regiões se regeneram, formando novas camadas de cascas”, diz. 

Para o orientador da pesquisa, professor Fábio Akira Mori, é muito importante que novos financiamentos aconteçam para a continuidade de pesquisas desse porte. “O conhecimento científico e a valorização das espécies florestais dos nossos biomas é muito importante. Descobrir novos compostos que poderiam ser extraídos das florestas contribuiria enormemente para a utilização racional das nossas florestas e para a sua conservação, principalmente do importante bioma que é a Amazônia.”

Atualmente, Elesandra é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Biomateriais da UFLA, e continua pesquisando o potencial das cascas de outras espécies arbóreas da Amazônia, principalmente para descobertas de novos e potenciais adesivos naturais para a indústria madeireira, bem como outras diferentes utilizações para os taninos, tais como antioxidantes naturais. A pesquisa conta com o apoio financeiro de um projeto recém-aprovado pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) sob a orientação do professor Fábio Akira Mori, que também é  pesquisador do  Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com Bolsa de Produtividade de Pesquisa na linha de pesquisa Adesivos Naturais.


Para mais informações sobre o estudo, acesse: "Quantification of the bark Myrcia eximia DC tannins from Amazon rainforest and its application in the formulation of natural adhesives for wood" (doi:10.1016/j.jclepro.2020.124324). O trabalho foi divulgado cientificamente no "Journal of Cleaner Production", periódico  internacional de elevado fator de impacto na área, que prioriza pesquisas sobre práticas de Produção Mais Limpa, Meio Ambiente e Sustentabilidade.


Texto: Melissa Vilas Boas – Bolsista Comunicação UFLA 

Diretrizes para publicação de notícias de pesquisa no Portal da UFLA e Portal da Ciência

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