Se os recursos digitais já faziam parte da nossa rotina, a emergência da pandemia de Covid-19 explicitou nossa dependência das tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), seja para realização de trabalhos remotamente, seja para ensino e aprendizagem, lazer e entretenimento e, até mesmo, para a manutenção das relações afetivas. 

Conversamos com o professor do Departamento de Ciência da Computação André Pimenta sobre como as ferramentas de comunicação on-line têm sido utilizadas em diferentes segmentos da sociedade, seu papel nas transformações nas relações de trabalho e os desafios do Brasil para o aprimoramento e ampliação do acesso a esses recursos. 

Como o uso das TICs contribui neste contexto de distanciamento social e de combate à pandemia da Covid-19?

O uso das TICs se mostra fundamental em situações como a crise causada pela pandemia do novo coronavírus.  O isolamento social tornou-se necessário para evitar o crescimento do número de infecções e a sobrecarga dos serviços de saúde e, nesse cenário, pessoas de todo o mundo tiveram que adaptar suas rotinas para manterem-se isoladas.

Recursos de comunicação por áudio e vídeo têm aliviado a falta de contato com pessoas queridas.  Ferramentas como WhatsApp, Skype, Zoom, Google Meet, entre outras, têm sido utilizadas por pessoas que não podem se encontrar pessoalmente.

Diversos negócios passaram por adaptações para se manterem em funcionamento, utilizando de maneira mais intensa serviços de entrega e pedidos por plataformas de comércio eletrônico, ou até com o uso do aplicativo Whatsapp para atender às demandas de seus clientes.  A cidade de Lavras (MG), por exemplo, contava com número limitado desse tipo de serviço e, rapidamente, lojas de hortifruti e supermercados aceleraram o movimento para vendas on-line, assim como outros serviços.

Mesmo antes da pandemia do novo coronavírus, uso das TICs já havia modificado de forma significativa as relações de trabalho.  No meio acadêmico, a realização de bancas de trabalho de conclusão de curso com uso de tecnologias de videoconferência também já havia crescido de forma pronunciada, com o objetivo de reduzir os custos de locomoção.  Com a pandemia, a realização de reuniões, aulas, e até mesmo consultas com tecnologias de telemedicina, tem se tornado cada vez mais frequente.

Você acredita que as mudanças nas relações de trabalho são permanentes?

De fato, a utilização intensiva de TICs para realização de atividades de trabalho, antes consideradas exceções para poucos trabalhadores em regime de home office, vai mostrar para muitas pessoas a possibilidade de novos caminhos e novas formas de trabalhar, que antes eram vistas com reserva.

Para muitas empresas, a situação vivenciada na pandemia vai mostrar que certos tipos de trabalho podem ser realizados em regime de trabalho remoto, sem prejuízos à qualidade e com redução de custos operacionais e de transporte.  A vivência dessa situação mostrará para as organizações como ponderar melhor quais atividades podem ser realizadas remotamente e quais, de fato, necessitam de realização presencial.

Estar conectado em tempo integral pode intensificar as jornadas de trabalho. Alguma orientação para lidar melhor com as TICs nessa nova relação com o trabalho?

O trabalho em regime de home office traz diversos desafios. Em termos de produtividade de trabalho, a principal recomendação de especialistas é de tentar criar um ambiente apropriado para o trabalho, com um espaço adequado, e com o maior isolamento possível.  É importante estabelecer regras com a família ou com outras pessoas que dividem a mesma casa para que o espaço do trabalho seja respeitado.

Computadores e ferramentas devem favorecer a ergonomia e o bem-estar.  Como as reuniões passam a ser por vídeo no próprio computador, aumenta-se muito o tempo visualizando uma tela, o que pode causar cansaço visual.  Por isso, é importante intercalar tempos de trabalho no computador com tempo sem exposição a telas.

É importante também estabelecer limites adequados de tempo para trabalho e o tempo dedicado a amigos, família e lazer.  A falta de tempo para hobbies e outras atividades de lazer e descanso pode ser muito prejudicial para a saúde.

Do ponto de vista tecnológico, o Brasil estava preparado para o consumo de internet dessa maneira? 

O Brasil tem reiteradamente mostrado necessidade de melhorias em sua infraestrutura de telecomunicações e internet.  Infelizmente, ainda há alcance limitado de internet banda larga em vários locais do País, e, em muitas cidades, a infraestrutura ainda está muito aquém das necessidades de rede para serviços como comunicação por vídeo e uso de streaming para entretenimento, em plataformas como Netflix, Youtube, Amazon Prime e outras, que demandam banda para grandes volumes de dados.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) afirmou que, durante a pandemia, houve aumento de 40% a 50% no consumo de banda larga no País.  Em cidades como Lavras (MG), apesar de não haver dados específicos, pessoas que trabalham em regime de home-office têm relatado problemas com instabilidade em suas conexões, o que é reflexo de infraestrutura com pouco preparo para o aumento do volume de tráfego de dados.

No Brasil, uma parcela significativa da população não tem acesso a essas tecnologias. Como lidar com esse desafio?

A edição mais recente da Pesquisa sobre o Uso das Tecnologias de Informação e Comunicação nos Domicílios Brasileiros, publicada em 2018 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, estimou que 70% da população brasileira tinha acesso à internet.  Entretanto, há grande diferença entre população urbana e rural.  Enquanto 74% da população urbana tinha acesso à internet, somente 49% da população em áreas rurais tinham acesso a esse recurso. 

A desigualdade social também mostra seus reflexos.  Enquanto o acesso à internet alcançava 92% das pessoas de classe A, 91% da classe B e 76% da classe C, somente 48% das pessoas das classes D e E tinham acesso à internet.

A diferença também é muito marcante em relação à faixa etária.  Enquanto 86% das pessoas com idades entre 25 e 34 anos tinham acesso à internet, somente 28% das pessoas com 60 anos ou mais tinham acesso à internet. 

Como os dados mostram, a desigualdade no acesso a tecnologias e internet no Brasil é reflexo da desigualdade social, com severas diferenças de renda e educação no país.  É preciso considerar ainda que esse acesso tem custo alto para o padrão de renda dos brasileiros.  

Além das iniciativas para redução das desigualdades no Brasil, por meio da promoção de programas de melhoria de educação, trabalho e renda, é importante que haja investimentos na infraestrutura de telecomunicações, de forma que seja possível oferecer serviços de conexão com melhor qualidade e com menor custo à sociedade.

Que tipos de investimentos precisam ser feitos para expandir o uso das TICs e a qualidade do serviço oferecido à população?

O Brasil precisa fazer grande investimento em tecnologias habilitadoras para conexão em rede, principalmente para aumentar o acesso à banda larga, a disponibilização de redes móveis, como o 5G, e a ampliação do alcance da cobertura de rede a locais como áreas rurais e comunidades com problemas de infraestrutura, como favelas e bairros com problemas de urbanização.

É importante, ainda, que sejam intensificadas ações para permitir que as pessoas possam contratar serviços de conexão com custo mais acessível. Grupos que historicamente têm pouco acesso à internet, como idosos e pessoas de baixa renda, também precisam ser atendidos por programas para capacitação no uso desse recurso. 

O que esperar do uso das tecnologias em um mundo pós-pandemia? Você acredita que as TICs irão pautar nossas relações sociais?  

De fato, muitas pessoas e organizações passaram a utilizar TICs de maneira muito mais intensa do que antes da pandemia.  Mesmo tecnologias como a telemedicina, que antes contava com forte rejeição por parte de alguns profissionais da área, passaram a ter avanço na sua utilização com o contexto da pandemia. Assim, é natural que o mundo pós-pandemia veja uma maior utilização das TICs para contatos sociais nas mais diversas esferas.

Aparelhos portáteis de fluorescência de raio X abriram novos caminhos entre os procedimentos adotados na análise de solo e de plantas no mundo inteiro. Nos últimos cinco anos, várias pesquisas estão sendo desenvolvidas na Universidade Federal de Lavras (UFLA) a partir do uso do aparelho, a  tecnologia pXRF aplicada na caracterização de solos e plantas. Tanto é que o Departamento de Ciência do Solo (DCS)  tem se tornado referência mundial na área. 

O professor do DCS Bruno Teixeira Ribeiro conta que  a análise de vários materiais por fluorescência de raios X é antiga e, com o avanço tecnológico, os equipamentos que antes eram de grande porte diminuíram de tamanho. Um dos exemplos de sucesso da tecnologia é a caracterização de solos de Marte, que tem sido feita com a utilização de técnicas de fluorescência de raios X. Com a miniaturização dos equipamentos, pesquisadores passaram a levar para o campo, dentro de uma mochila, aparelhos portáteis no formato de uma pistola, com o peso de  1,5 kg. 

Bruno Teixeira Ribeiro explica que a tecnologia permite quantificar vários elementos da tabela periódica simultaneamente em apenas 30 segundos. Ao contrário das análises tradicionais de solo e de plantas, o uso do pXRF permite rápida análise, tanto no campo como no laboratório. Também não utiliza reagentes químicos e nem gera poluentes. "Com essa tecnologia, o laboratório pode ir até o campo. Sendo a análise de solo e de plantas um dos fatores cruciais para a sustentabilidade dos agroecossistemas, contribuindo para a segurança de solo e alimentar, a tecnologia pXRF pode ser considerada uma grande inovação na Ciência do Solo do país", afirma o professor do DCS da UFLA. 

O especialista na área participou de um treinamento da tecnologia pXRF na Texas Tech University, nos Estados Unidos. 

Pioneirismo científico 

No Departamento de Ciência do Solo da UFLA, trabalhos pioneiros têm sido realizados nos últimos cinco anos com a utilização de pXRF para caracterização de solos e de plantas.  Para o professor David C. Weindorf, da  Central Michigan University e parceiro do DCS/UFLA, o trabalho que está sendo feito pela UFLA com aplicações de fluorescência de raios X em solos tropicais é verdadeiramente revolucionário. “A UFLA formou parcerias valiosas com cientistas de renome no mundo inteiro, trabalhou incansavelmente para facilitar o intercâmbio de estudantes, colocando-os no cenário internacional como especialistas na área”, afirma Weindorf. 

 

 

 

Reportagem: Pollyanna Dias, jornalista - Comunicação UFLA 

Edição do Vídeo: Eder Spuri - Comunicação / UFLA 

   

Aparelhos portáteis de fluorescência de raio X abriram novos caminhos entre os procedimentos adotados na análise de solo e de plantas no mundo inteiro. Nos últimos cinco anos, várias pesquisas estão sendo desenvolvidas na Universidade Federal de Lavras (UFLA) a partir do uso do aparelho, a  tecnologia pXRF aplicada na caracterização de solos e plantas. Tanto é que o Departamento de Ciência do Solo (DCS)  tem se tornado referência mundial na área. 

O professor do DCS Bruno Teixeira Ribeiro conta que  a análise de vários materiais por fluorescência de raios X é antiga e, com o avanço tecnológico, os equipamentos que antes eram de grande porte diminuíram de tamanho. Um dos exemplos de sucesso da tecnologia é a caracterização de solos de Marte, que tem sido feita com a utilização de técnicas de fluorescência de raios X. Com a miniaturização dos equipamentos, pesquisadores passaram a levar para o campo, dentro de uma mochila, aparelhos portáteis no formato de uma pistola, com o peso de  1,5 kg. 

Bruno Teixeira Ribeiro explica que a tecnologia permite quantificar vários elementos da tabela periódica simultaneamente em apenas 30 segundos. Ao contrário das análises tradicionais de solo e de plantas, o uso do pXRF permite rápida análise, tanto no campo como no laboratório. Também não utiliza reagentes químicos e nem gera poluentes. "Com essa tecnologia, o laboratório pode ir até o campo. Sendo a análise de solo e de plantas um dos fatores cruciais para a sustentabilidade dos agroecossistemas, contribuindo para a segurança de solo e alimentar, a tecnologia pXRF pode ser considerada uma grande inovação na Ciência do Solo do país", afirma o professor do DCS da UFLA. 

O especialista na área participou de um treinamento da tecnologia pXRF na Texas Tech University, nos Estados Unidos. 

Pioneirismo científico 

No Departamento de Ciência do Solo da UFLA, trabalhos pioneiros têm sido realizados nos últimos cinco anos com a utilização de pXRF para caracterização de solos e de plantas.  Para o professor David C. Weindorf, da  Central Michigan University e parceiro do DCS/UFLA, o trabalho que está sendo feito pela UFLA com aplicações de fluorescência de raios X em solos tropicais é verdadeiramente revolucionário. “A UFLA formou parcerias valiosas com cientistas de renome no mundo inteiro, trabalhou incansavelmente para facilitar o intercâmbio de estudantes, colocando-os no cenário internacional como especialistas na área”, afirma Weindorf. 

 

 

 

Reportagem: Pollyanna Dias, jornalista - Comunicação UFLA 

Edição do Vídeo: Eder Spuri - Comunicação / UFLA 

   

Prof. Mateus Pies Gionbelli (UFLA) e  Prof. Marcio Duarte(UFV) coordenadores do projeto premiado

 Premiação internacional é uma das mais concorridas da área de nutrição animal.

Um trabalho realizado por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Agroquímica do Instituto de Ciências Naturais da Universidade Federal de Lavras (ICN/UFLA) foi capa e considerado Very Important Paper (VIP – Artigo muito importante) pela conceituada revista internacional Chemistry – An Asian Journal. Isso significa que os resultados desse trabalho foram considerados entre os 10% mais relevantes. A publicação é parte do trabalho de doutorado de Daniela Rodrigues Silva em conjunto com o também doutorando Lucas de Azevedo Santos.

Daniela explica que se trata de uma pesquisa de base, ou seja, que gera conhecimento para ser aplicado em outras pesquisas, as chamadas pesquisas aplicadas. Neste caso, os autores estudaram os ácidos e bases de Lewis, moléculas que se conectam de uma maneira em que uma doa um par de elétrons para outra, formando então um complexo. De acordo com Daniela, é preciso que tais moléculas se deformem para poderem finalmente se ligarem e que os livros de Química explicam que essa ligação é governada por uma atração quântica entre as moléculas.

A pesquisa então demonstrou, por meio de cálculos quântico-computacionais, que, na verdade, a energia associada a essa deformação possui um papel decisivo na força da ligação. Em outras palavras, a ligação mais forte é observada em moléculas que se deformam mais facilmente, e não necessariamente naquelas que se atraem mais fortemente.

 Com estudos mais aprofundados sobre o comportamento dessas moléculas modelo, a ciência pode avançar no desenvolvimento de novos produtos, como, por exemplo, agroquímicos, o que consequentemente acarreta mudanças no manejo da terra e na produtividade de alimentos. Além disso, essa classe de compostos é também utilizada para limpeza de materiais pesados no solo, sendo importante para a saúde humana.

A pesquisa contou ainda com a colaboração do professor Matheus Puggina de Freitas, do Departamento de Química da UFLA, e dos professores da Vrije Universiteit Amsterdam, Célia Fonseca Guerra e Trevor A. Hamlin. O trabalho teve suporte financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), além da The Netherlands Organization for Scientific Research (NWO). O artigo pode ser gratuitamente acessado em: https://doi.org/10.1002/asia.202001127

 

Diretrizes para publicação de notícias de pesquisa no Portal da UFLA e Portal da Ciência

Mais>>

A Comunicação da UFLA, por meio do projeto Núcleo de Divulgação Científica e da Coordenadoria de Divulgação Científica, assumiu o forte compromisso de compartilhar continuamente com a sociedade as pesquisas científicas produzidas na Instituição, bem como outros conteúdos de conhecimento que possam contribuir com a democratização do saber.

Sendo pequeno o número de profissionais na equipe de Comunicação da UFLA; sendo esse órgão envolvido também com todas as outras demandas de comunicação institucional, e considerando que as reportagens de pesquisa exigem um trabalho minucioso de apuração, redação e revisões, não é possível pautar todas as pesquisas em desenvolvimento na UFLA para que figurem no Portal da Ciência e no Portal UFLA. Sendo assim, a seleção de pautas seguirá critérios jornalísticos. Há também periodicidades definidas de publicação.

Todos os estudantes e professores interessados em popularizar o conhecimento e compartilhar suas pesquisas, podem apresentar sugestão e pauta à Comunicação pelo Suporte. As propostas serão analisadas com base nas seguintes premissas:

  • Deve haver tempo hábil para produção dos conteúdos: mínimo de 20 dias corridos antes da data pretendida de publicação. A possibilidade de publicações em prazo inferior a esse será avaliada pela Comunicação.

  • Algumas pautas (pesquisas) podem ser contempladas para publicação no Portal, produção de vídeo para o Youtube, produção de vídeo para Instagram e produção de spot para o quadro Rádio Ciência (veiculação na Rádio Universitária). Outras pautas, a critério das avaliações jornalísticas, poderão ter apenas parte desses produtos, ou somente reportagem no Portal. Outras podem, ainda, ser reservadas para publicação na revista de jornalismo científico Ciência em Prosa.

  • As matérias especiais de pesquisa e com conteúdos completos serão publicadas uma vez por semana.

  • É possível a publicação de notícias sobre pesquisa não só quando finalizadas. Em algumas situações, a pesquisa pode ser noticiada quando é iniciada e também durante seu desenvolvimento.

  • A ordem de publicação das diversas matérias em produção será definida pela Comunicação, considerando tempo decorrido da sugestão de pauta, vínculo do estudo com datas comemorativas e vínculo do estudo com acontecimentos factuais que exijam a publicação em determinado período.

  • O pesquisador que se dispõe a divulgar seus projetos também deve estar disponível para responder dúvidas do público que surgirem após a divulgação, assim como para atendimento à imprensa, caso haja interesse de veículos externos em repercutir a notícia.

  • Os textos são publicados, necessariamente, em linguagem jornalística e seguindo definições do Manual de Redação da Comunicação. O pesquisador deve conferir a exatidão das informações no texto final da matéria e dialogar com o jornalista caso haja necessidade de alterações, de forma a se preservar a linguagem e o formato essenciais ao entendimento do público não especializado.

Sugestões para aperfeiçoamentos neste Portal podem ser encaminhadas para comunicacao@ufla.br.



Plataforma de busca disponibilizada pela PRP para localizar grupos de pesquisa, pesquisadores, projetos e linhas de pesquisa da UFLA