Se aulas e atividades educacionais remotas, impostas pela pandemia da Covid-19, são um desafio para os estudantes adultos, o que dizer do embaraço que elas representam para as crianças, suas famílias e professores? E quando falamos em crianças bem pequenas, na faixa dos 3 anos, qual é o tamanho da dificuldade? Como organizar as atividades? Como torná-las interessantes a ponto de despertar o interesse das crianças que estão distantes da interação, das brincadeiras e do calor da sala de aula? Como planejar tudo de forma que os familiares consigam auxiliar as crianças a avançar no aprendizado? Como propor as atividades de forma a manter o vínculo das famílias e das crianças com a escola e garantir os direitos de aprendizagem, reduzindo os efeitos desse período de distanciamento social?

Essas questões inquietaram profissionais da Educação Infantil em 2020, e também os pais e responsáveis pelos pequenos, que, muitas vezes, acabaram desistindo da tarefa de conduzir em casa as atividades para essa faixa etária. Também para as professoras do Grupo 3 do Núcleo de Educação da Infância da Universidade Federal de Lavras (Nedi/UFLA), Apolliane Xavier Moreira dos Santos e Franciane Sousa Ladeira Aires, a experiência de 2020 foi de angústia diante da crise de saúde pública que mudou repentinamente o cenário da educação, e deixou todos preocupados, sem saber ao certo o melhor caminho a seguir para que não ficasse um “vazio pedagógico e de vínculos na trajetória das crianças”. “É necessário garantir às crianças o direito à aprendizagem, previsto inclusive na Constituição do País, mas muitas tentativas de atividades não deram bons resultados nas primeiras ações, e isso provoca a frustração da professora, e também das famílias”, explica a assessora pedagógica do Nedi, Letícia Silva Ferreira.

Diante das dificuldades, as professoras dedicaram-se a pensar uma nova proposta de trabalho pedagógico para essa faixa de idade, com o objetivo de estimular as famílias a criarem um ambiente de brincadeiras e aprendizagens com materiais simples e acessíveis, no espaço da casa, no período de atividades remotas. Elas organizaram um cronograma de atividades que inclui encontros virtuais com as crianças e famílias, tanto encontros individuais como de grupo, conjugados à entrega de kits educativo-pedagógicos detalhadamente pensados para estimular o desenvolvimento integral das crianças, considerando a mediação direta da família. A iniciativa já vem gerando bons resultados, com envolvimento significativo das crianças e avaliação positiva pelas famílias – e pode inspirar outros professores nesse momento especialmente desafiador para a Educação Infantil.

Para o primeiro semestre letivo de 2021 foram organizadas entregas de oito kits educativos. Os kits são compostos por materiais auxiliares, que as famílias precisarão para o desenvolvimento das atividades com as crianças, e todas as orientações para as atividades são organizadas em folhas tamanho A3. O diferencial já começa pela curiosidade que o kit desperta na criança, por ser em tamanho maior e incluir tintas, giz de cera, cola e outros materiais que chamam a atenção dos pequenos. Todas as atividades propostas são cuidadosamente explicadas aos pais e responsáveis, que conseguem saber exatamente como devem apresentar a atividade aos filhos e como lidar com a criança no momento do desenvolvimento. São orientados, inclusive, a primeiro estimular que a criança explore o kit e se interesse por ele. As atividades vêm com QR Codes, pelos quais a família pode acessar vídeos e podcasts, alguns gravados pelas próprias professoras, que ajudam a ambientar o momento de aprendizagem. As experiências estimuladas pelo kit em nada se parecem com cartilhas ou atividades apostiladas, e vão bem além do colorido ou da aprendizagem de conceitos: a criança se interessa em ser protagonista, atraída pelas propostas de ir para a cozinha com a família fazer uma receita de massinha de modelar, ou construir um chocalho, ou um tambor, ou divertir-se ouvindo e criando rimas, apreciando músicas e histórias que fogem do repertório mais comum. Para a família, as atividades acabam se tornando um momento de convivência com os pequenos, e é possível observar, nos meandros de cada atividade, o aprendizado que as crianças vão alcançando em diferentes aspectos e temas... formas, quantidades, identidade,  percepção dos sentidos, maneiras de lidar com emoções como o medo, entre outros pontos. 

O empenho de tempo e esforço das professoras no desenvolvimento dos kits é facilmente percebido por quem analisa as atividades e observa o cuidado com que foram pensadas, interconectadas com cada objetivo de aprendizagem. “Nós fomos pensando, em detalhes, como faríamos se estivéssemos com as crianças presencialmente, e, dessa forma, fomos construindo os momentos para as vivências em família”, conta a professora Franciane. Desse modo, a frustração das dificuldades vivenciadas nas experiências de 2020 vão dando lugar ao alento de garantir que as crianças pequenas passem por esse período sem tantas perdas pedagógicas. A professora Apolliane conta que o retorno das famílias tem demonstrado que a busca por novos modos de fazer valeu a pena. “Temos visto as famílias agradecendo, relatando ter recuperado momentos agradáveis com os filhos durante as vivências, emocionando-se com a poesia do momento literário, e algumas até dizendo que o desenvolvimento das propostas se tornou um evento na casa”.

O que dizem as famílias...

Apesar das dificuldades que a pandemia impôs às famílias, que precisam coordenar tantas atividades de trabalho e estudo em meio às rotinas domésticas, as famílias reconhecem que a proposta do kits é diferenciada.

“As professoras, ao criarem o kit, pensaram em cada detalhe. Por exemplo, dentro de cada atividade, os pais têm tudo detalhado para auxiliá-los a realizar as tarefas. Por ser um kit tão prático, não encontro dificuldades em realizar as atividades. Outro ponto interessante está na diversidade das tarefas, sempre buscando deixar a criança ser criança. O meu filho consegue participar ativamente e desenvolver as atividades com grande facilidade”. Roselene Maria Pimenta de Morais - mãe do Pedro Morais de Oliveira

“Os kits foram muito bem elaborados. Eles têm uma estrutura completa, com objetivos, instruções para os pais, reflexões; as atividades são organizadas com uma sequência lógica sobre o tema que está sendo abordado, inserção de mídias interativas nas formas de QR Codes, que facilitam muito o acesso. Além disso, auxiliam a família a refletir sobre muitos temas. O kit é dividido em momentos em que podemos explorar várias áreas da criatividade das crianças, como o momento musical, que trabalha com artistas brasileiros e suas músicas, instrumentos musicais, etc. Já tivemos o momento receita, pelo qual exploramos as sensações das crianças, toque, conceitos de quantidade (nas receitas), texturas e cores. Pelo momento literário, podemos ler histórias que abordam situações vivenciadas nessa fase de 3 anos, como coragem, medo, associação com sons, rimas e, para além disso, apresentamos alguns autores de obras literárias reconhecidas. Tem sido uma experiência incrível com minha filha, no sentido de que estamos mais próximas, aproveitando muitos momentos juntas e aprendendo juntas também. Não conheço outras propostas de ensino a distância nessa faixa etária, mas acredito firmemente que esse kit tem sido um grande avanço para auxiliar as famílias a executarem este importante papel, que é ensinar, conduzir, estimular e educar de tantas formas. Estou apaixonada pelo kit e pela metodologia abordada. A escola preza pela educação associada à cultura e à condição da criança com o cidadão que tem seus direitos a serem respeitados”. Luciana Silva Ribeiro Martins, mãe da Rafaela Ribeiro Martins.

“O grande diferencial foi a entrega dos kits: tudo impresso, de forma visual, com folhas grandes. O Pedro ficou muito empolgado com o recebimento desse material físico. E tem a questão de ser lúdico, de ser muito simples, fácil de replicar em casa. A gente tem até capacitação para fazer coisas mais complexas, mas não temos o domínio de como fazer, da forma como a professora faz. Na escola eles normalmente têm interesse maior, dividem a experiência com os amigos.  As professoras estão de parabéns, porque elas fizeram todo o trabalho de nos informar, de fazer a abordagem para os pais e, com isso, a gente consegue levar a criança para esse universo.” Maíra Barbosa Miranda, mãe do Pedro Barbosa Mendes.

“Percebi que os kits educativos do Nedi são muito bem formulados, num formato que cria interesse na criança, seja pela forma da escrita (já que é feita a leitura por um adulto para a criança), seja pelas atividades educativas propostas, e também pelos anexos, por meio dos QR Codes, que direcionam para o contato com as professoras de modo virtual e direcionam também para vídeos de contação de histórias, de desenhos animados e de músicas, tornando o ensino lúdico e muito divertido, com aprendizagem significativa. Minha experiência na execução dos kits educativos com minha filha tem sido muito boa, pois respeito os limites dela, tanto em relação ao seu grau de interesse sobre as propostas, quanto em relação aos seus limites na execução das atividades. Acredito que cada criança tenha o seu ritmo de aprendizagem. Minha filha geralmente fica na expectativa de fazer as atividades propostas (fica bem curiosa e cheia de entusiasmo)”. Raisa Cardoso Moretti, mãe da Isis Cardoso Moretti.

Clique e conheça um exemplo de atividade do Kit 1.

Para outras informações sobre as atividades, entre em contato com as professoras: apolliane.santos@ufla.br e franciane.aires@ufla.br.

  

 

Agradecimento aos alunos do Nedi que aparecem na foto de abertura: 

Isaac Ichiro Festucci de Herval
Maria Fernanda Fernandes de Melo
Pedro Henrique Pacheco Antônio
Sofia Silva Souza
Valentina Nery Maculan
Isis Cardoso Moretti.
Pedro Morais de Oliveira
Rafaela Ribeiro Martins
Pedro Barbosa Mendes

A pandemia causada pelo coronavírus trouxe à tona grandes desafios ao ensino superior e básico. Durante séculos, o modelo educacional brasileiro se consolidou em meio ao escasso uso de tecnologia e centralidade na figura do professor. Depois de oito meses de ensino remoto, uma das principais dificuldades para a adaptação dos professores, estudantes e escolas continua sendo ministrar aulas práticas.  Um entrave que o professor e pesquisador do Departamento de Ciência Exatas da Universidade Federal de Lavras (UFLA), na área de Ensino de Física, Ulisses Azevedo Leitão, superou com uma inovação.

Para garantir o aprendizado prático da Física em laboratório, o docente criou o RLab, um laboratório remoto. O sistema é composto por chips, placas, lâmpadas e outras tecnologias que, aliadas e conectadas à programação, reproduzem a experiência de um laboratório real. Basta o estudante ter acesso à internet para testar conceitos da Física, com experimentos de termodinâmica e eletricidade. 

“O projeto prova que algumas atividades experimentais podem ser executadas em ensino a distância. Com o laboratório remoto, o estudante opera o laboratório de casa. Ao realizar um comando, por exemplo aplicar uma tensão num circuito elétrico ou ligar o aquecimento em um Calorímetro, o mecanismo executa a ação. O estudante acompanha o que está ocorrendo no Laboratório, que manda imagens em tempo real, apresenta os gráficos, bem como os dados do experimento realizado para análise do estudante, exatamente como numa prática de laboratório presencial”, explica Ulisses Azevedo Leitão. 

O protótipo vem sendo usado por estudantes de Licenciatura em Física da UFLA, além de estudantes do ensino médio de escolas públicas e particulares em Nova Serrana e em Lavras. Com interface simples e didática, eles já desenvolveram experimentos de medidas de corrente elétrica em função da diferença de potencial elétrico medido por resistores (Lei de Ohm), medida de descarga de um capacitor em um circuito RC e medidas de calor específico, medindo a resposta de substâncias ao calor.

“O próximo passo é criar um robô que permite trabalhar conceitos da Física que envolvem movimento, como filmar uma caneta caindo. Para cada experimento, é preciso fazer laboratório diferente”, ressaltou o professor, que vem correndo contra o tempo desde abril devido à urgência de preparar aulas interativas, criar didática que mantenha a concentração e garantir o aprendizado. 

Mais opção

O ensino remoto virou única opção. Educadores se desdobram no país inteiro com técnicas à disposição. Uma delas é o envio de kits itinerantes para casa dos estudantes. “Eles não vencem o drama causado na educação durante o isolamento porque o aluno faz o experimento sozinho. Contudo, ninguém aprende sozinho. É da interação social que acontece a aprendizagem”, afirma o docente. 

Por isso, o projeto RLab possibilita que os estudantes trabalhem em conjunto. “Nossa alternativa reproduz uma experiência real em laboratório, em que soluções e problemas reais são feitos a distância, com a interação via chat entre alunos e professor. Pelo bate-papo, alguém pode dar o comando enquanto o outro acompanha o que está acontecendo”, conta o professor Ulisses Azevedo Leitão, da área de Ensino de Física.

 

 

Reportagem: Pollyanna Dias, jornalista- bolsista 

Edição do vídeo: Eder Spuri – Comunicação / UFLA   

 

Inovação, proatividade, autonomia, tomada de risco e agressividade competitiva. Engana-se quem pensa que essas cinco posturas empreendedoras são restritas ao setor privado. Uma pesquisa do Departamento de Administração e Economia da Universidade Federal de Lavras (DAE/UFLA) analisou as ações voltadas para promover o desenvolvimento de atividades empreendedoras em creches no município de Lavras. 

Coordenadores, supervisores, professores e educadores responderam questionários sobre a realidade administrativa de 31 Centros Municipais de Educação Infantil (Cemei’s),  creches que atendem crianças de zero a quatro anos. Existência de suporte gerencial, de autonomia do trabalho e de recompensas foram algumas das questões analisadas. Financiada pela FAPEMIG e pelo CNPq, a pesquisa foi conduzida pela mestre Luciana Vieira sob orientação da professora Daniela Meirelles.

Com a coleta dos dados, a pesquisa buscou identificar os fatores que determinam ou contribuem para a organização de estratégias empreendedoras nas creches do município. O estudo encontrou a presença de suporte gerencial e discrição no trabalho, além de autonomia no fomento do empreendedorismo na organização da educação pública. Todos são fatores que impactam positivamente na organização de estratégias empreendedoras nessas instituições.  

“Identificamos o perfil empreendedor nas professoras, monitoras e coordenadoras das creches. Tanto que elas promovem duas ações empreendedoras. Uma delas é o projeto ABC, cujo eixo principal é o desenvolvimento do hábito de leitura das crianças, com o envolvimento de vários atores e ações. A outra diz respeito à roda de conversa com foco no compartilhamento de experiências e melhores práticas entre as coordenadoras dos Cmei´s”, explicou a professora do Departamento de Administração e Economia (DAE), Daniela Meirelles Andrade, orientadora da pesquisa. 

O estudo não confirmou a existência de regimes de recompensas e reconhecimento que incentivem a inovação. 

 

Ações empreendedoras

 

A organização empreendedora investe em um produto inovador, ainda que envolva risco, e possui um comportamento proativo, para superar a concorrência. Desde o começo dos anos 2000, as orientações estratégicas para o empreendedorismo passaram a ser novo caminho a ser seguido na administração pública. 

A incorporação de melhores práticas da gestão privada no setor público buscou diminuir a burocracia na administração pública e fomentar a inovação e, consequentemente, proporcionar desenvolvimento e produtividade nos serviços públicos.  “Poucos estudos científicos focam na gestão da educação pública, principalmente, relacionados às creches. Em Lavras, encontramos práticas de orientação empreendedora que poderiam ser ampliadas, mais valorizadas e melhor desenvolvidas no contexto da organização”, disse Daniela Meirelles Andrade.  

Praticada na gestão escolar, a  organização empreendedora pode melhorar a realidade do ensino público federal, estadual e municipal. No setor público, o modelo é baseado na inovação, na proatividade e na assunção a risco (quando profissional ou organização é incumbida de realizar tarefa desafiadora com foco no objetivo desejado).  

Uma série de características organizacionais influenciam  nas orientações estratégicas para o empreendedorismo. Por exemplo: hierarquia, formalização, flexibilidade, tamanho, autonomia, especialização, participação nas decisões e desempenho baseado em recompensas. 

No sistema público educacional, fatores externos e internos da escola - como comunicação e valores - influenciam na adoção e desenvolvimento das orientações empreendedoras na educação infantil e creche municipal. “O empreendedorismo depende da atitude dos seus líderes e do suporte da organização. Por isso, valores, crenças e visões dos líderes, além do apoio e recompensas aos servidores são elementos cruciais para impulsionar a inovação na gestão  escolar”, afirma. 

 

 

Reportagem: Pollyanna Dias, jornalista- bolsista 

Edição do vídeo: Eder Spuri – Comunicação / UFLA   

Hoje, 21 de setembro, é Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência. Uma pesquisa desenvolvida no Departamento de Educação Física da Universidade Federal de Lavras (UFLA) aponta o poder transformador de práticas esportivas e recreativas em crianças com deficiência, que resultam em inclusão, respeito e quebra de padrões.

Mais de 45 milhões de brasileiros possuem algum tipo de dificuldade para ver, ouvir, movimentar-se ou incapacidade mental, segundo o Instituto Brasileiro de Pesquisas e Estatísticas (IBGE). Ainda de acordo com o IBGE, se o Brasil tivesse 100 pessoas, aproximadamente sete teriam deficiência motora; cinco, auditiva; e 19, visual.  Além disso, de 70 milhões de pessoas no mundo com Transtorno do Espectro Autista (TEA), dois milhões são brasileiros, segundo estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Tendo em vista esses dados, o Núcleo de Estudo, Pesquisa e Extensão em Paradesporto da Universidade Federal de Lavras (UFLA) realiza práticas recreativas e iniciação esportiva com o objetivo de propor momentos de interação e, principalmente, inclusão, para crianças que apresentam alguma deficiência. O Núcleo, vinculado ao Departamento de Educação Física (DEF), atua desde 2017 e os resultados advindos dos trabalhos realizados surpreendem pesquisadores e familiares, com transformações visíveis e significativas na vida dos participantes. 

Tais mudanças despertaram o interesse para pesquisas relacionadas à inclusão de crianças com deficiência por meio do esporte. As atividades foram realizadas na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) e no Centro de Educação e Apoio às Necessidades Auditivas e Visuais (Cenav). esgrima jpg

A professora do DEF e coordenadora do núcleo, Nathália Maria Resende, relata que o projeto tem como finalidade favorecer a participação de crianças que apresentam deficiência motora e intelectual. “A falta da metodologia do desporto voltado para essas crianças pode causar a inatividade. Diante dessa proposta, é notória a importância do projeto para integrá-las e incluí-las na sociedade, focando em um caminho eficaz para o desenvolvimento de atividades motoras, estimulando e valorizando as suas potencialidades.”

A diferença entre lutas e brigas para pessoas com deficiência

A pesquisadora da UFLA Juliana Aparecida Pereira desenvolveu atividades de Jogos de Oposição para que as crianças diferenciassem lutas, como esporte, de violência (brigas), pois, de acordo com ela, algumas crianças reproduziam atos agressivos em sala de aula. 

Aulas práticas foram realizadas com uma turma específica da Apae, em que todos apresentavam alguma deficiência intelectual e/ou motora. A pesquisadora apresentou os conceitos de brigas e lutas e exibiu vídeos de atletas lutadores participantes dos Jogos Paralímpicos. Durante o período da pesquisa, eles puderam vivenciar e colocar em prática lutas de curta, média e longa distância, com o uso de implementos como as modalidades Judô, Boxe, Jiu Jitsu, Karatê e Esgrima.

Com as atividades, eles compreenderam melhor sobre respeito, disciplina e autocontrole. O retorno observado pela professora Roseli Alves dos Santos, responsável pela turma da pesquisa, foi positivo, pois, no período em que as atividades foram realizadas, ela observou que os alunos estavam mais respeitosos em sala de aula. “Ao terem a iniciativa de falar a um colega ou professora que aquilo era briga e que não era certo, demonstravam que aprenderam a diferenciar lutas de brigas e o quanto a pesquisa influenciou no combate ao comportamento agressivo”, comenta Juliana. 

Jogos Paralímpicos 

Em 2019, o calendário esportivo contou com campeonatos mundiais paralímpicos de dez modalidades, além dos Jogos Parapan-Americanos de Lima. No Parapan de Lima, o Brasil conquistou 308 medalhas e o primeiro lugar no quadro geral. Ao todo, 248 atletas foram premiados.

Em 2021, o calendário contará com os Jogos Paralímpicos de Tóquio, e o Brasil já garantiu 79 vagas em 12 modalidades (atletismo, bocha, canoagem, ciclismo, futebol de 5, goalball, natação, remo, tênis de mesa, tiro com arco, tiro esportivo e vôlei sentado).

Fonte: Comitê Paralímpico Brasileiro

Práticas esportivas com crianças autistas

As práticas corporais inclusivas para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) foi o foco de outra pesquisa da UFLA, realizada por Ana Cláudia Vasconcelos da Costa. Foram realizadas atividades recreativas com jogos e brincadeiras, voltadas para o trabalho da coordenação motora grossa e fina, direção, equilíbrio, força, circuitos psicomotores, associação de números e cores, noções espaciais, brincadeiras populares e habilidades motoras básicas.

Primeiramente, Ana Cláudia avaliou as crianças de acordo com alguns domínios, como socialização, oralidade, convívio, funções motoras, entre outros. Após essa avaliação, houve o convívio da pesquisadora com as crianças. Por fim, para respeitar a individualidade de cada criança, as atividades eram adaptadas de acordo com as características que elas apresentavam. A pesquisadora relata que a atividade física teve um resultado positivo para as crianças com autismo, tanto no aspecto da afetividade, quanto cognitivo e motor. 

“Meu filho é autista e tem 5 anos. Antes de ele participar do projeto, não pulava direito, era agressivo, batia em qualquer um. Hoje ele aprendeu a pular, a andar com segurança, a conversar e interagir com outras pessoas; além disso, ele está mais calmo e conversa bastante. O projeto foi muito eficaz. A família precisa acreditar que vai melhorar e que vai trazer benefícios, pois ele está interagindo mais com as pessoas, conversando mais e a cada dia tem um resultado melhor”, comentou Thaís Porfírio, mãe do Rikelmy, participante do projeto. pesquisadora apae jpg

A importância do professor de Educação Física

A pesquisadora da UFLA Tássia Placedino Silva Oliveira salienta a importância do professor de Educação Física em instituições de ensino especializadas para crianças com deficiências, pois ele será capaz de planejar atividades adaptadas e adequadas para auxiliar no desenvolvimento de cada criança. 

Após coletar informações de crianças e professores que participaram das pesquisas anteriores, ela pôde comprovar que as práticas esportivas resultaram em transformações importantes. “Essas escolas já buscam promover uma aprendizagem adequada para as crianças com deficiência intelectual e/ou múltiplas, com comprometimentos que acarretam atrasos no desenvolvimento global e na capacidade adaptativa. As atividades realizadas pelos projetos foram ao encontro desse objetivo e contemplaram as particularidades das crianças; asseguraram que os estímulos ofertados fossem apropriados para o desenvolvimento de todos os participantes”, comenta Tássia. 

Sendo assim, as pesquisas realizadas pelas pesquisadoras da UFLA comprovam que a aplicação de conteúdos da Educação Física Escolar, de forma lúdica, estruturada e bem conduzida nas aulas, contribui efetivamente para a autonomia, a imaginação e a cooperação entre os estudantes com deficiência motora e/ou intelectual, expandindo os conhecimentos e possibilitando uma sensação de bem-estar e, consequentemente, a inclusão e respeito,  levando-os a ter uma melhor qualidade de vida e, logo, a quebra de padrões excludentes da sociedade.

Reportagem: Greicielle Santos – Licenciada em Letras, bolsista Comunicação/UFLA

Edição do Video: Luiz Felipe - Comunicação/UFLA

Imagens: Luiz Felipe - Comunicação/UFLA e Sérgio Augusto - Comunicação / UFLA
 

Por uma formação de professores e estudantes que vá alem de datas comemorativas

Diretrizes para publicação de notícias de pesquisa no Portal da UFLA e Portal da Ciência

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A Comunicação da UFLA, por meio do projeto Núcleo de Divulgação Científica e da Coordenadoria de Divulgação Científica, assumiu o forte compromisso de compartilhar continuamente com a sociedade as pesquisas científicas produzidas na Instituição, bem como outros conteúdos de conhecimento que possam contribuir com a democratização do saber.

Sendo pequeno o número de profissionais na equipe de Comunicação da UFLA; sendo esse órgão envolvido também com todas as outras demandas de comunicação institucional, e considerando que as reportagens de pesquisa exigem um trabalho minucioso de apuração, redação e revisões, não é possível pautar todas as pesquisas em desenvolvimento na UFLA para que figurem no Portal da Ciência e no Portal UFLA. Sendo assim, a seleção de pautas seguirá critérios jornalísticos. Há também periodicidades definidas de publicação.

Todos os estudantes e professores interessados em popularizar o conhecimento e compartilhar suas pesquisas, podem apresentar sugestão e pauta à Comunicação pelo Suporte. As propostas serão analisadas com base nas seguintes premissas:

  • Deve haver tempo hábil para produção dos conteúdos: mínimo de 20 dias corridos antes da data pretendida de publicação. A possibilidade de publicações em prazo inferior a esse será avaliada pela Comunicação.

  • Algumas pautas (pesquisas) podem ser contempladas para publicação no Portal, produção de vídeo para o Youtube, produção de vídeo para Instagram e produção de spot para o quadro Rádio Ciência (veiculação na Rádio Universitária). Outras pautas, a critério das avaliações jornalísticas, poderão ter apenas parte desses produtos, ou somente reportagem no Portal. Outras podem, ainda, ser reservadas para publicação na revista de jornalismo científico Ciência em Prosa.

  • As matérias especiais de pesquisa e com conteúdos completos serão publicadas uma vez por semana.

  • É possível a publicação de notícias sobre pesquisa não só quando finalizadas. Em algumas situações, a pesquisa pode ser noticiada quando é iniciada e também durante seu desenvolvimento.

  • A ordem de publicação das diversas matérias em produção será definida pela Comunicação, considerando tempo decorrido da sugestão de pauta, vínculo do estudo com datas comemorativas e vínculo do estudo com acontecimentos factuais que exijam a publicação em determinado período.

  • O pesquisador que se dispõe a divulgar seus projetos também deve estar disponível para responder dúvidas do público que surgirem após a divulgação, assim como para atendimento à imprensa, caso haja interesse de veículos externos em repercutir a notícia.

  • Os textos são publicados, necessariamente, em linguagem jornalística e seguindo definições do Manual de Redação da Comunicação. O pesquisador deve conferir a exatidão das informações no texto final da matéria e dialogar com o jornalista caso haja necessidade de alterações, de forma a se preservar a linguagem e o formato essenciais ao entendimento do público não especializado.

Sugestões para aperfeiçoamentos neste Portal podem ser encaminhadas para comunicacao@ufla.br.



Plataforma de busca disponibilizada pela PRP para localizar grupos de pesquisa, pesquisadores, projetos e linhas de pesquisa da UFLA